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Austeridade: Albano Martins Executivo mais activo
Terça, 01/09/2015

Num cenário de recessão avançar com medidas de austeridade pode não ser a melhor solução. É o que defende Albano Martins, para quem o Governo tem de criar estímulos em vez de alimentar a queda da economia.

 

“Em primeiro lugar, não sei bem se o Governo falará em medidas de austeridade ou se isso é um erro de tradução. Num território onde não há défice público nem dívida pública, falar de medidas de austeridade em situação de recessão a dois dígitos altos não me parece que seja uma boa lógica”, afirma o economista.

 

Para Albano Martins, o que o Governo poderá estar a querer dizer é que, neste cenário de quedas das receitas do jogo, “vai ser mais eficiente na gestão da sua despesa pública, evitando alguns desperdícios que deveria ter já evitado há mais tempo”.

 

O economista entende que o Governo não pode seguir a tendência da economia, nem se preocupar com a austeridade antes das finanças públicas entrarem no vermelho. “Acho que o Governo devia esperar o primeiro défice público e não estar tão preocupado quanto isso. Se não tiver défice público, todas as medidas que façam neste sentido são medidas contraccionistas e numa situação de contracção brutal – que é aquela que nos estamos a deparar com decrescimentos superiores a 20 por cento –, o Governo só está a alimentar a tendência e isso é errado. Economicamente é um pontapé na gramática”, considera Albano Martins.

 

Perante a actual situação, o Executivo, acrescenta o economista, “devia tentar criar despesa pública em áreas que sabe que é necessário criar despesa pública”.

 

“Não basta apenas dar subsídios. É preciso incentivar a criação de postos de trabalho, por exemplo, se for necessário – que não é bem o caso. O governo tem áreas onde deve actuar em vez de estar preocupado com a saúde das finanças públicas porque disso não se trata”, acrescenta Albano Martins.