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Tráfico humano: Devoy diz que é preciso um esforço maior
Terça, 28/07/2015

As críticas que o Departamento de Estado norte-americano a Macau sobre o tráfico humano têm razão de ser. É assim que Juliana Devoy, do Centro do Bom Pastor, reage ao documento hoje divulgado. Para a responsável – que trabalha directamente com vítimas de tráfico humano –, o relatório não é surpreendente até porque muito do que ali vem já fazia parte de documentos do passado.

 

Os Estados Unidos apontam que a capacidade de “a aplicação da lei e a capacidade judiciária” são os principais desafios com que Macau se depara. A responsável pelo Centro do Bom Pastor concorda e destaca o facto de muitos casos serem tratados pela justiça como lenocínio, quando apresentam características de tráfico humano, um dos aspectos salientados no relatório.

 

Juliana Devoy conta que ao centro chegam agora menos vítimas menores de idade, o que não significa que o problema esteja resolvido. “De Janeiro até agora – estamos no fim de Julho –, só recebemos duas raparigas. Antes, costumávamos ter, quase a cada duas semanas, uma rapariga que vinha por ter sido identificada como vítima de tráfico, menor de idade. Custa-me acreditar que não há mais raparigas como estas que estão a ser trazidas para Macau. Como é que não são identificas e resgatadas? É a pergunta que faço.”

 

À semelhança do Departamento de Estado norte-americano, Devoy também sugere às autoridades uma atitude mais pró-activa. “O relatório não interpreta como se tivesse havido uma diminuição no tráfico. Pelo contrário: a interpretação que fazem é que tem de ser feito muito mais, as autoridades têm de combater este problema com mais determinação, tentando encontrar as vítimas, sendo mais pró-activas. Sei que o Governo tem feito muito e que continua a fazer o que pode, que tem boa vontade, mas não é suficiente”, afirma.

 

Entre as recomendações que o Departamento de Estado norte-americano faz a Macau está a realização de um inquérito junto da população imigrante para identificar a vulnerabilidade ao tráfico humano. Juliana Devoy reconhece que o contexto político para a aplicação desta medida não é o melhor, mas considera que se trata de uma boa sugestão. “A população não residente não é popular entre os locais, a não ser por questões das necessidades que tem – e, de facto, a necessidade existe. É muito claro que sem a população migrante, parte significativa de Macau não poderia funcionar. Por isso, julgo que o Governo tem de enfrentar isto, sobretudo por causa do tráfico de trabalhadores. Há todas estas construções a serem feitas, há muitos anos que não param, e deve ser feita essa identificação.”