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Maria Barroso: “Uma mulher independente e de causas nobres”
Terça, 07/07/2015

Defendeu a necessidade do desenvolvimento da língua portuguesa em Macau e o reforço da cultura, para que Portugal e a China tivessem relações mais fortes, que perdurassem para o futuro. Maria Barroso, mulher de Mário Soares, morreu hoje em Portugal, aos 90 anos.

 

A antiga primeira-dama passou várias vezes por Macau. Jorge Neto Valente conhecia Maria Barroso há mais de 50 anos, ainda dos tempos de Portugal. Amigos de longa data, lamenta o desaparecimento de uma mulher de aspecto frágil, forte nas convicções, discreta na forma como esteve na vida. Uma mulher que foi muito mais do que uma primeira-dama: “Sempre coerente, sempre com muita dignidade, que manteve sempre a sua personalidade independente e dedicou-se sempre a causas nobres de entendimento entre as pessoas e de fim caritativo”.

 

Das viagens a Macau, o advogado recorda uma, no final dos anos 70 ou em 1980, em que acompanhou o marido. Mário Soares já não era primeiro-ministro, mas o convite para visitar a China manteve-se. Neto Valente acompanhou-os de Cantão até ao território, numa viagem de carro em dia de tufão. “Mesmo assim houve aqui um encontro de pessoas que os estimavam”, lembra. Maria Barroso voltou várias vezes a Macau, já Mário Soares era Presidente da República.

 

Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas, Maria Barroso foi deputada, esteve à frente do Colégio Moderno, mas começou a vida profissional como actriz. Em Macau, deu particular importância à língua e à cultura.

 

Em 1987, numa visita à Universidade da Ásia Oriental – a actual Universidade de Macau – defendeu a necessidade de desenvolvimento da língua portuguesa no território. Em 1992, sublinhou a necessidade de um investimento na cultura como forma de reforçar as relações entre Portugal e a China. Numa altura em que se contavam os anos que faltavam para a transferência, Maria Barroso lembrava que a cultura era importante porque ficava “para o futuro”.