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Ex-administrador hospitalar português condenado por burla
Segunda, 08/06/2015

O Tribunal Judicial de Base condenou o ex-administrador do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Rui Sá, a um ano e seis meses de prisão, com pena suspensa, pelo crime burla. Em causa estão cerca de 139 mil patacas em medicamentos adquiridos através de receitas falsas e ausências não justificadas.

 

O Hoje Macau e o Ponto Final dão conta de que o caso foi julgado há pouco mais de uma semana e remonta ao período entre Maio de 2011 e Abril de 2012. Rui Sá era então administrador-geral numa das secretarias do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

 

O Ministério Público dividiu a conduta do arguido, condenado por um crime de burla e outro de falsificação de documentos, em duas acções distintas. De um lado está o levantamento de medicamentos em nome de duas pessoas, que se prolongou por quase um ano. Rui Sá burlou a Administração em cerca de 139 mil patacas, com recurso a receitas passadas pelos cirurgiões Rui Furtado e António Martins. De acordo com o Ponto Final, que cita os Serviços de Saúde, não foi aberto um processo de averiguações aos dois médicos porque “os mesmos, à altura, não haviam violado qualquer regra” interna. No entanto, reconhecem que “não era comum” profissionais do serviço público passarem receitas a pessoas que nunca consultaram a pedido de terceiros.

 

Rui Sá foi ainda visado por causa de saídas durante o horário de trabalho para deslocações fora de Macau. Na maioria dos casos, o destino era Zhuhai  e as ausências foram registadas por períodos curtos, de entre 20 minutos a uma ou duas horas.

 

Entre Janeiro de 2006 e 30 de Abril de 2011, o antigo administrador saiu 68 vezes do hospital durante o horário de serviço. Mas continuou a assinar a folha de ponto e a ser remunerado normalmente.

 

Na sentença, lê-se que o facto de os valores da burla “serem baixos” serviu de atenuante. A execução da pena está suspensa por dois anos, na condição de Rui Sá pagar uma indemnização no valor de 232 mil patacas aos Serviços de Saúde, no prazo de 30 dias.

 

Actualmente, Rui Sá trabalha em Portugal, na mesma área. Em Macau, entrou na Administração em 1982, desempenhando funções de farmacêutico.