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Economia: Sonny Lo diz que diversificação está a falhar
Quinta, 04/06/2015

A descida das receitas do jogo não é uma crise, nem uma oportunidade – é uma situação de contingência que precisa de ser resolvida de maneira a que o território possa evoluir da melhor forma. A ideia foi deixada pelo académico Sonny Lo, que esteve em Macau para uma conferência sobre a nova fase da economia local.

 

“O desenvolvimento dos casinos vai depender de vários factores”, defendeu, em declarações à Rádio Macau. “Em primeiro lugar, da capacidade que as operadoras de casinos e o Governo de Macau têm para se adaptarem e ajustarem à diversificação económica, o mais rapidamente possível. Em segundo lugar, se os turistas da China Continental vão mesmo mudar o gosto deles, das apostas VIP para o sector extra jogo, bem como outras actividades de lazer levadas a cabo pelas várias operadoras de casinos.” Para o investigador, outro factor determinante terá que ver com a sustentabilidade da campanha contra a corrupção na China, “porque quanto mais longa for, maior vai ser o impacto”.

 

O académico de Hong Kong entende que Macau não está a fazer as melhores opções em relação à diversificação económica – salienta que, ao final de 23 reuniões, a Comissão de Desenvolvimento dos Talentos só conseguiu identificar cinco áreas de actividade que são, todas elas, “directamente ligadas aos casinos”. A solução poderá ter de vir de Pequim.

 

“A verdadeira diversificação da economia continua por fazer. Pequim já sinalizou uma possível abertura maior da porta da China para o turismo do Continente, no caso de haver um cenário pior.” Sonny Lo entende que, da reunião desta semana de Macau com as autoridades do turismo, resulta um recado para o Governo: o território tem de ser capaz de oferecer um pacote turístico diversificado para os visitantes que vêm do Continente.

 

Já em relação à capacidade de Macau em receber mais turistas, o analista recorda que a China tem uma política de fluxos para o número de pessoas que viajam para o exterior. Ainda assim, Macau tem de trabalhar em várias áreas para que seja possível acolher turistas que não vêm jogar.

 

“Neste cenário [de um aumento do número de turistas], Macau teria de recalcular e reavaliar a capacidade actual não só dos hotéis, como das pensões. Depois, teria de analisar as possíveis ramificações de questões ligadas à lei e à ordem pública, como crimes transfronteiriços, e melhorar urgentemente as infra-estruturas dos transportes”, aponta. “Neste momento, os autocarros e os táxis em Macau parecem ser insuficientes.”

 

Lo vinca que se Macau não tiver capacidade para acolher um grande número de turistas, será difícil ao Governo Central ajudar o território a lidar com os efeitos da queda das receitas do jogo, “por muita vontade política que Pequim tenha”.

 

Nas declarações à Rádio Macau, Sonny Lo comenta ainda a questão da qualidade de vida e se o abrandamento das receitas do jogo pode servir para devolver à população padrões que se perderam com o crescimento económico. O investigador entende que a possibilidade existe, mas alerta para a necessidade de um debate alargado, antes de se avançar para a renovação das licenças do jogo.

 

“É urgente que o think-tank de Macau – se é que esse think-tank existe – organize conferências públicas, seminários, workshops, convidando a população e especialistas para que possam expressar as suas perspectivas, em antecipação à renovação contratual e também à revisão dos casinos dos próximos anos”, alerta.

 

Sonny Lo veio a Macau para uma palestra no Instituto Ricci.