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LAG: "Há doentes mal tratados nas urgências"
Segunda, 23/03/2015

Há doentes mal tratados nos serviços de urgência do hospital público, diz o médico Rui Furtado. No exercício de perspectiva das prioridades para as Linhas de Acção Governativa para este ano, o cirurgião defende que é necessário introduzir melhorias na área da saúde.

 

“Vejo todos os dias casos de doentes que são mal tratados no serviço de urgência e a razão, para mim, é só uma: é que o serviço de urgência é prestado por médicos não diferenciados, quando deveria assentar em médicos especialistas assessorados por internos da especialidade e do internato geral”, aponta.

 

Os médicos não diferenciados, acrescenta o cirurgião, devem ser utilizados para suprir faltas – não como a primeira linha do serviço de urgência: “É claro que não têm preparação para fazer o serviço de urgência e quem sofre somos nós todos”.

 

Rui Furtado aborda ainda um novo problema – a fertilização in vitro. O médico considera que deve ser legislada a possibilidade da utilização deste método, um meio comum autorizado em todo o mundo, mas que os serviços de saúde decidiram proibir.

 

“Tem de ser criar condições para fazer a lei. Até o hospital público deveria ter este serviço. Hoje em dia, a fertilização in vitro é uma realidade médica e ninguém tem o direito de a proibir, tal qual como o director dos Serviços, Lei Chin Ion, acabou de fazer agora”, defende o médico.

 

O cirurgião faz também referência a um dilema grave no que diz respeito ao diagnóstico pré-natal. “No hospital, neste momento, há uma grave crise no diagnóstico pré-natal porque os dois médicos que faziam diagnóstico pré-natal pura e simplesmente saíram do hospital”, conta, não se mostrando surpreendido com a situação. “O hospital e os Serviços de Saúde estão a ser dirigidos como se de um colégio interno se tratasse, e os médicos são uns meninos que têm de estar sempre de acordo, não podem ter opinião própria. É evidente que os problemas de fundo do hospital não são tratados.”

 

Aind acerca da saúde, Rui Furtado sugere uma política de internatos, com “um regulamento actualizado e sério”, que tenha em conta as necessidades. O cirurgião entende também que devem ser criadas condições para que os médicos recebam formação lá fora, porque ficar por aqui não basta.