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Amorim: Família estável e jovem feliz, dizem testemunhas
Quarta, 18/03/2015

Na sessão desta quarta-feira no julgamento do caso Luís Amorim, as testemunhas deram conta de uma família estável e de um jovem feliz e bem-disposto.

 

António Aguiar, amigo de José Amorim, sublinhou, esta manhã, que o pai rejeitou a tese de suicídio e que, nos dias seguintes à notícia da morte, vivia “uma obsessão extrema” pela conclusão de suicídio. No tribunal Administrativo, a testemunha adiantou ainda que José Amorim se transformou depois da madrugada de 30 de Setembro de 2007, face à revolta que sentia, e que devido aos factos a família “deixou de socializar” e “fechou-se bastante”.

 

O economista diz que sempre recusou a tese de suicídio de Luís Amorim, sublinhado que era um jovem com uma “personalidade forte” e “sabia bem o que queria”.

 

António Aguiar, já durante a tarde, afirmou ao Ministério Público que a revolta dos pais de Luís Amorim se devia ao facto de não se saber o que tinha acontecido e de, à medida que o tempo avançava, ser mais difícil chegar a uma conclusão. Entre o círculo de amigos, segundo a testemunha, dizia-se mesmo que José Amorim nunca consegui fazer o luto porque não sabia o que aconteceu naquela madrugada.

 

Esta tarde, João Travassos, antigo colega de trabalho do pai de Luís Amorim, na CEM, contou que foi ele quem deu a noticia a José Amorim, quando estavam em trabalho, no Japão. “Das coisas mais difíceis que tive de fazer na vida”, confessou.

 

João Travassos diz que a família Amorim era estável e que não tem dúvidas de que eram bons pais. No entanto, admite que quem não os conhecesse pudesse pôr em causa o seu papel como pais.

 

Quanto ao jovem Luís Amorim, João Travassos afirmou que tinha “potencial” e tudo fazia antever que teria um bom futuro.

 

Sobre o regresso da família a Portugal, admitiu que José Amorim já tinha abordado essa possibilidade, alegando que a família queria acompanhar o percurso do jovem na universidade. João Travassos, na altura chefe de José Amorim, pediu-lhe que ficasse mais tempo dadas as dificuldades de o substituir. Ele aceitou, mas a morte do jovem levou a que a decisão fosse inquestionável.

 

Em tribunal, a testemunha disse recordar-se que a certa altura o pai do jovem lhe terá dado conta de uma mensagem que recebeu numa deslocação à Polícia Judiciária de que “era melhor irem embora porque tinham uma filha”. A mesma mensagem foi também sublinhada por Margarida Conde. A professora, colega e amiga da mãe de Luís Amorim acrescentou, no entanto, que a informação terá sido dada pelo telefone, segundo o relato de Maria José Amorim. Margarida Conde diz não saber precisar quem terá sido o autor da mensagem.

 

A testemunha contou ainda que, na manhã dos acontecimentos, recebeu um telefonema da mãe de Luís Amorim, que estava na Polícia Judiciária. Quando foi ter com ela, ouviu dizer de um funcionário que o jovem se tinha suicidado.

 

Em tribunal, duas professoras de Luís Amorim – Maria Alexandra Gomes e Maria Antónia Costa – lembraram-no como um jovem feliz e um adolescente normal, com planos para o futuro. As docentes dizem ter rejeitado sempre a ideia de suicídio.

 

Esta tarde foi ainda ouvida Sónia Antunes, amiga do jovem, que nas vésperas da sua morte lhe escreveu uma frase na perna do rapaz. Em tribunal, a testemunha disse que foi durante a festa de finalistas e nela constava um palavrão, sem, no entanto, especificar o conteúdo da mensagem.