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Escravatura: Especialistas defendem mais acção das empresas
Terça, 17/03/2015

As empresas podem e devem fazer mais no combate ao tráfico humano. A ideia foi defendida hoje por vários especialistas que se juntaram no território para falarem da escravatura do século XXI, numa conferência promovida pelo Centro do Bom Pastor que teve como tema o papel que o mundo dos negócios pode ter para minimizar um problema que afecta 36 milhões de pessoas.

 

A questão coloca-se em todos os países, de forma directa ou indirecta, e manifesta-se de diferentes formas – do tráfico para a prostituição aos casamentos forçados, passando pelo trabalho infantil. Várias multinacionais têm estado envolvidas em escândalos por causa de operários explorados em países subdesenvolvidos. Mas o problema vai muito além do que acontece nas fábricas, aponta Richard Welford, da CSR Asia.

 

“A dificuldade é que a maioria dos problemas está no início da cadeia de fornecimento. Uma dos aspectos que saliento é que muitos dos escravos de hoje, ou a maioria das crianças que trabalham, não estão a trabalhar em fábricas. Não se encontram os problemas nas inspecções que são feitas pelas empresas. Encontram-se os problemas no início da cadeia de fornecimento, onde as empresas não vão”, diz.

 

As empresas não vão aos campos, ao mar, às florestas e às minas. Richard Welford – que trabalha em programas de responsabilidade social corporativa para ajudar na definição de estratégias para as comunidades –, diz que há empresas que já estão sensibilizadas para a importância de saber com que meios fazem os negócios. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer: “Muitas empresas continuam a enfiar a cabeça na areia, tentam ignorar o problema. Mas começamos a ver cada vez mais riscos para a reputação das marcas. Começam a perceber que têm de lidar com estas questões. Vivemos num mundo em que é tão fácil divulgar informação. Sabemos que produtos é que estão a ser feitos por escravos. Acho que as empresas vão ter de agir”.

 

A era da informação rápida ajuda quem tem como tarefa lutar contra a escravatura, um problema que, de acordo com a organização onde trabalha Melissa Kim, afecta 38 milhões de pessoas a nível mundial. A responsável do Fundo Global para Abolição da Escravatura resume o problema a uma questão de oferta e procura. “As empresas têm um enorme papel a desempenhar. As empresas têm uma influência e um poder tremendos no que toca à oferta e à procura. A escravidão é efectivamente uma questão de oferta e procura. Quando se pensa em cadeias de fornecimento dos negócios, há uma responsabilidade mútua nos negócios, incluindo a cadeia que os fornece”, vinca.

 

Os cálculos da Organização Internacional do Trabalho apontam para lucros anuais de 150 mil milhões de dólares resultantes do tráfico humano e do trabalho forçado.