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Tráfico humano: Centro do Bom Pastor organiza conferência
Quinta, 12/03/2015

Macau recebe, na próxima terça-feira, vários especialistas da Ásia e dos Estados Unidos para uma conferência sobre tráfico humano. Trata-se de uma conferência da responsabilidade do Centro do Bom Pastor, em associação com uma organização norte-americana. Com a iniciativa pretende-se sensibilizar a população para a questão do tráfico humano, mas há um alvo em particular que se quer envolver no debate: o empresariado.

 

Em Macau, o tráfico humano conhece várias dimensões, sendo que uma delas está associada aos hotéis e aos casinos. Juliana Devoy, do Centro do Bom Pastor, gostaria de ver um maior envolvimento de quem gere as principais indústrias do território no combate à escravidão do século XXI. “A primeira coisa [que podem fazer] tem que ver com a política que adoptam: terem uma política pública de tolerância zero em relação a qualquer tipo de tráfico sexual dentro ou nas imediações dos seus casinos”, explica.

 

Depois, quem tem poder de compra – como é o caso das grandes empresas – deve ter cuidado com os produtos que adquire e pensar se não está a alimentar formas de escravidão, destaca Juliana Devoy, salientando que há mais vítimas de trabalhos forçados no mundo do que de tráfico sexual.

 

Em Macau, o tráfico humano é essencialmente associado à prostituição. Nos últimos dois anos, o Centro do Bom Pastor acolheu temporariamente 39 vítimas, raparigas com menos de 18 anos. “O tráfico humano tem muitas caras, é de muitos estilos. A ideia tradicional tem que ver com pessoas espancadas e amarradas, e isso ainda acontece, mas não é a única forma. Há casos como os das raparigas que acolhemos: a vulnerabilidade delas é explorada, porque são raparigas jovens, ignorantes, nunca tinham estado fora da China, são facilmente seduzidas.”

 

Nem sempre os casos de tráfico humano chegam a tribunal – é preciso que as vítimas tenham consciência da sua condição e que tenham também coragem para depor. Fazer prova destes crimes é difícil, explica Juliana Devoy, que perde o rasto às jovens mal elas regressam à China Continental. Algumas delas voltam a fazer o mesmo percurso até Macau.

 

Porque é nos hotéis que muitas destas raparigas são exploradas, a responsável do Bom Pastor defende que é preciso que as empresas formem os funcionários, para que haja denúncias que permitam detectar casos. Na conferência da próxima terça-feira participa uma vice-presidente de uma cadeia internacional de hotéis que decidiu dar um contributo para o combate ao tráfico humano.

 

A Organização Internacional do Trabalho aponta para 21 milhões de vítimas de tráfico humano em termos globais. É uma indústria que rende 32 mil milhões de dólares – a segunda maior actividade criminosa do mundo, logo a seguir ao tráfico de droga.