Em destaque

21 de Março 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.2742 patacas e 1.1424 dólares norte-americanos.

Luís Amorim: PJ diz que "todos os cenários eram possíveis"
Quarta, 11/03/2015

O investigador da Polícia Judiciária Luís Estorninho assegurou, na primeira audiência do caso que opõe a família de Luís Amorim à RAEM, que “todas as possibilidades estavam em aberto” durante a investigação à morte do jovem, a 30 de Setembro de 2007.

 

O inspector da PJ, a primeira testemunha a ser ouvida no início do julgamento, disse que “foram tidas em conta as hipóteses de suicídio, acidente e homicídio”, embora tenha ressalvado que “nada indicou que foi um crime”. Luís Estorninho negou também que a PJ tivesse conduzido a investigação com o pressuposto de suicídio.

 

A Pedro Redinha, o advogado da família Amorim, Luís Estorninho afirmou ser "provável" que o jovem tenha estado na Ponte Nobre de Carvalho: "Não foi encontrado lá, mas havia marcas das suas sapatilhas".

 

O inspector adiantou, ainda, que não se recorda que durante as investigações testemunhas tenham colocado a hipótese de homicídio.

 

O Ministério Público inquiriu o inspector sobre a atenção dada ao caso pela comunicação social. Luís Estorninho admite notícias "bastante aprofundadas".

 

Em resposta à presidente do colectivo, o inspector Luís Estorninho disse que "parecia que o caso não estava em segredo de justiça" face às notícias publicadas. Notícias que, notou, foram sendo publicadas à medida que decorria a  investigação. Ainda ao Ministério Público, o investigador confirmou que havia a sensação que alguém impulsionava as notícias.

 

Sobre as marcas das sapatilhas na Ponte Nobre de Carvalho, Luís Estorninho explicou que foi feita a recolha de indícios e análises de laboratório.

 

A presidente do colectivo de juízes quis saber mais detalhes sobre como foi feita a investigação, com Luís Estorninho a explicar que foram ouvidos os amigos do jovem Luís Amorim e ainda requerido o visionamento de imagens do bar BEX (onde o jovem tinha estado), na zona do NAPE e na Ponte Nobre de Carvalho. 

 

O investigador explicou que apenas conseguiram ver as imagens do Centro Cultural, pois “as câmaras da ponte não estavam a funcionar” e as imagens do BEX eram guardadas apenas "por uns dias". Pelas imagens do Centro Cultural foi possível verificar, segundo Luís Estorninho, que não houve "confusão" à porta do BEX. Imagens que, ainda assim, não eram da "melhor" qualidade, pelo que "não era possível identificar pessoas".

 


Questionado pela juíza, Luís Estorninho falou ainda das lesões do corpo de Luís Amorim, alegando que, pela sua experiência, é difícil diferenciar os casos de queda e agressão se houver fracturas.

 

Quanto ao caso de Luís Amorim, "havia lesões visíveis que eram compatíveis com queda". O inspector adiantou que os casos de agressão são diferentes, uma vez que há hematomas: "No caso do Luís Amorim havia nas palmas da mão", o que "podia ser da queda", notou.

 

De recordar que a família de Luís Amorim instaurou um processo contra a RAEM por negligência das autoridades na investigação da morte do jovem em 2007. A família pede uma indemnização civil de 15 milhões de patacas.