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Luís Amorim: PJ afastou crime "só no fim da investigação"
Quarta, 11/03/2015

A possibilidade de crime na morte de Luís Amorim esteve em aberto até ao final das investigações, altura em que a hipótese foi afastada, disse hoje em julgamento o inspector da Polícia Judiciária Porfírio de Souza.

 

Ouvido na parte da tarde em tribunal, o agente reafirmou que “não foi excluída a possibilidade de homicídio” na investigação à morte do jovem, a 30 de Setembro de 2007.

 

Porfírio de Souza disse que, num primeiro momento, as autoridades classificaram o caso como acidente ou suicídio para que fosse “aberta uma investigação”. Depois, referiu que a possibilidade de “homicídio só foi afastada no fim da investigação”.

 

O inspector, em resposta à presidente do colectivo, reconheceu ser “esquisito” alguém tentar atirar um corpo da Ponte Nobre de Carvalho porque “toda a gente sabe que há câmaras”. Com base na investigação, disse, “ninguém vai arriscar”.

 

Sobre a presença de Luís Amorim no local, o inspector sublinhou a existência de marcas dos sapatos do jovem e o testemunho de duas raparigas que dizem ter visto um rapaz parecido, sozinho, na ponte, por volta das 3h30 da manhã.

 

Porfírio de Souza acrescentou também que os relatórios dos médicos indicavam “um embate no solo”, o que reforça a ideia de que o jovem esteve na ponte. Uma opinião sustentada, sublinhou, por especialistas da China que estiveram em Macau para analisar o caso.

 

O advogado da família Amorim, Pedro Redinha, mostrou ainda fotografias do corpo do jovem ao inspector, para que ele observasse lesões como uma incisão na testa, cortes debaixo dos olhos e abrasão na parte do pescoço. Mas Porfírio de Souza diz que as explicações devem ser feitas por um médico legista. A terminar disse que está na Polícia Judiciária há mais de 30 anos e que “viu pessoas que se suicidaram de locais elevados sem apresentar ferimentos”.

 

Em resposta ao delegado do Ministério Público, referiu, como sucedeu com o colega Luís Estorninho, a cobertura noticiosa do caso. Porfírio de Souza afirmou que se recorda que “foram muitos os artigos”, que “incluíam comentários que não deviam ter sido feitos”, e “sempre contra a investigação”. Além disso, estes revelavam pormenores que estavam sob segredo de justiça.