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Economistas cépticos com “falsa diversificação” da economia
Domingo, 25/01/2015

Ng Kuok Cheong e José Isaac Duarte consideram que há uma “falsa diversificação” da economia de Macau que não terá resultados visíveis nos próximos anos. Entrevistados na Reportagem Rádio Macau “As Novas Regras do Jogo”, sobre a situação actual da principal indústria de Macau, os dois economistas observaram que a cooperação entre Macau e a província de Guangdong não vai servir para ajudar à diversificação da economia.

 

O deputado Ng Kuok Cheong afirma que “nos próximos cinco anos” não haverá resultados visíveis e considera que investir na Ilha da Montanha ou em Nansha não é o mesmo que investir em Macau: “Para Xi Jinping, será outra Macau. Para Xi Jinping, será um verdadeiro desenvolvimento diversificado. Para Xi Jinping, isso estará bem. Mas não para Macau, porque esse chamado desenvolvimento diversificado poderá não acontecer no território. Talvez vá para Nansha ou para a Ilha da Montanha, Zhongshan ou outras partes. Não é optimista a perspectiva da diversificação nos próximos tempos. O que acontece em Cantão em termos económicos não é a diversificação do investimento em Macau. É diferente”.

 

O académico José Isaac Duarte também não se mostra optimista sobre a utilização da Ilha da Montanha: “Ainda não vi escrito ou comentado com clareza qual é o papel que se espera que a Ilha da Montanha tenha no desenvolvimento de Macau. À partida, é dizer que Macau se pode desenvolver ali ou que alguns empresários de Macau podem investir na Ilha da Montanha. Mas isso não resolve os problemas da cidade”.

 

José Isaac Duarte vê com muito cepticismo a diversificação económica de Macau: “Acho que não se pode esperar muito em termos reais. Em termos de aparência, o Governo tem recursos financeiros suficientes para sustentar alguns sectores que dêem a aparência de diversificarem a economia. Mas em termos reais não creio que isso vá acontecer de forma significativa, sem que haja um processo de ajustamento e transição.”

 

O economista aponta a indústria das convenções e exposições como exemplo do que falhou na diversificação da economia: “Os MICE [“Meetings, incentives, conferences, and exhibitions”] subsistem sem financiamentos públicos? Não subsistem. Macau ganhou dimensão, reputação e visibilidade internacional para atrair grandes eventos internacionais que não tivesse antes, sem que o Governo lá ponha dinheiro a sério? Não atraiu. Portanto, é uma falsa diversificação. Os MICE não representam sequer um por cento da economia. Podemos repetir isto com três ou quatro sectores para ter a ilusão de que diversificamos, mas a diversificação tem que vir da iniciativa dos agentes económicos de Macau, das empresas, dos trabalhadores que constituem e fazem projectos novos que apostam em novas actividades. Nenhuma pequena e média empresa, hoje, pode sobreviver em Macau com os níveis salariais que os casinos pagam e com os níveis de rendas que lhes são exigidos. Com estes dois factores de estrangulamento, e sem recursos humanos qualificados, a diversificação vem de onde?”

 

Ng Kuok Cheong critica também os empresários de Macau: “Ainda que muitos empresários locais e muitas famílias tenham feito muito dinheiro, não são muito activos em termos de investimento e desenvolvimento de Macau. Vão ser atraídos por Cantão. Devido à cooperação com a província serão dados benefícios aos novos investimentos na Ilha da Montanha ou em Nansha. Nos próximos anos, a maioria das famílias ricas de Macau vai para essa cooperação com Cantão”. 

 

A situação do sector do jogo, que atravessa um período de quebras, e a possibilidade de Macau diversificar a economia são alguns dos temas em foco na Reportagem Rádio Macau, “As Novas Regras do Jogo”, que vai para o ar hoje às 16h30 e é repetida segunda-feira às 11h30.