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Alexis Tam aponta “má gestão” e exige melhorias na saúde
Segunda, 05/01/2015

Alexis Tam deu aos Serviços de Saúde o prazo de um ano para apresentarem “melhorias” no sistema de saúde público, depois de o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura ter participado num encontro com médicos e enfermeiros do Centro Hospitalar Conde de São Januário, de quem ouviu desejos, mas também muitas críticas a uma saúde que dizem “não acompanhar os padrões internacionais”.

 

Segundo os profissionais de saúde que falaram “livremente”, como Alexis Tam disse que podiam fazer, “sem medo de represálias”, faltam médicos e enfermeiros, faltam espaço e instalações, é preciso um novo regime de carreiras “mais aliciante”, até porque “não são contadas horas extraordinárias”, são precisos seguros hospitalares, são precisos mais especialistas para os doentes que são muitos e muito têm que esperar para as consultas que “têm que ser curtas”. É precisa melhor triagem e é preciso “uma faculdade de medicina”, tal como mais e melhor comunicação com as chefias e entre colegas. Há “muita burocracia” e há uma “mentalidade de funcionalismo público”, quando devia haver “sentido de missão”, acusou uma médica.

 

O diagnóstico identifica muitos problemas e há áreas que os próprios médicos descrevem como “zonas de tragédia”, como os casos da ginecologia e ortopedia.

 

Os médicos dizem-se “exaustos” e alguns sentem-se mesmo “explorados”, como disse o presidente da Associação de Médicos dos Serviços de Saúde.

 

É um retrato negro que mostra como os Serviços de Saúde “não acompanham os padrões internacionais”, como vários médicos fizeram questão de afirmar.

 

Apesar de destacar que há indicadores em que Macau está “acima da média” em termos internacionais, como na esperança média de vida ou na taxa de mortalidade de grávidas, Alexis Tam reconhece que “ainda falta alguma coisa”, e que “não se consegue chegar ao nível internacional”.

 

De acordo com o secretário, “80 a 90 por cento” das opiniões que ouviu dos profissionais de saúde devem-se a “má gestão do hospital”, algo que Alexis Tam diz que “poderá ser corrigida”. Segundo o governante, “nem todos são bons gestores, mas a nossa equipa tem bons gestores e podemos ajudar”.

 

Para o secretário, é preciso alterar a situação vivida no sistema de saúde público: “Temos que mudar. Temos a vontade. Pelo menos eu tenho essa vontade para aperfeiçoar o sistema de saúde. Agora, falta a direcção [dos Serviços de Saúde]. Eles têm que trabalhar”.

 

A mensagem de exigência foi ouvida directamente pelo director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, e também pelo director do Centro Hospitalar Conde São Januário, Chan Wai Sin, que acompanharam Alexis Tam na visita que o secretário fez ao hospital público.

 

Alexis Tam deu o prazo de “um ano” para que haja melhorias no sistema de triagem e na redução do tempo de espera. No curto prazo, ainda para este ano, há ainda a meta de recrutar 529 médicos e enfermeiros.

 

Ainda entre os planos anunciados pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura para o futuro próximo está também uma aplicação informática que permite saber em tempo real a situação do atendimento nos centros de saúde e no hospital público, havendo a possibilidade de incluir neste serviço as unidades de saúde privadas.

 

Já a revisão das carreiras é um objectivo para um prazo mais longo. O secretário diz que as regalias “não são atraentes” e que “regime das carreiras dos médicos e enfermeiros não está actualizado”.

 

Essa revisão é “urgente e necessária”, acrescenta, até para “travar a fuga de pessoal”. Só nos últimos tempos, observou Alexis Tam, cerca de cem médicos e enfermeiros trocaram os Serviços de Saúde pelo sector privado.

 

Macau tem “muito dinheiro”, conclui o secretário, pelo que “vai ser difícil explicar às pessoas porque Macau não tem um bom sistema de saúde”.