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Misericórdias: Macau e Portugal assinam protocolos inéditos
Quarta, 26/11/2014

A Santa Casa da Misericórdia de Macau assina amanhã vários protocolos com a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) e com a Santa Casa da Misericórdia do Porto. Os responsáveis pelas duas instituições de Portugal estão de visita ao território. Os protocolos “são inéditos”, explica o provedor António José de Freitas, e vão permitir à instituição de Macau uma maior ligação às Misericórdias portuguesas.

 

“Para nós, estes protocolos são importantes porque vão permitir à Irmandade ter acesso a troca de informações com as Misericórdias portuguesas e não só, também com as Misericórdias espalhadas pelo mundo”, diz o provedor da Santa Casa de Macau, destacando ainda que os acordos prevêem a formação de pessoal, “nomeadamente na área da saúde”. “Temos o lar e temos falta de enfermeiros. Também temos a creche e temos falta de educadoras”, vinca.

 

Com a transferência de administração do território, a Santa Casa da Misericórdia de Macau perdeu o vínculo formal que tinha com Portugal – estes protocolos vêm recuperar relações de proximidade.

 

A formação de quadros é uma das áreas abrangidas pelo protocolo que vai ser assinado com a Santa Casa da Misericórdia do Porto. O acordo, explica o provedor António Manuel Tavares, procura responder a algumas situações que são idênticas em Portugal e em Macau, mas também a questões em que a relação pode ser complementar. “São questões que têm que ver com a formação de quadros. Há falta de alguns quadros em Macau, em Portugal eles existem e estão hoje no desemprego – se houver condições poderá haver uma transferência de alguns quadros para participarem em acções e até mesmo a possibilidade de quadros da Misericórdia de Macau poderem ir a Portugal fazer estágio e participarem também em iniciativas”, indica António Manuel Tavares, em entrevista à Rádio Macau.

 

Outras áreas de cooperação passam pela cultura e pela história. António Manuel Tavares destaca ainda que a instituição do Porto – a mais antiga de Portugal, com 515 anos de existência – está disponível para colaborar no campo da saúde, um dos aspectos em que mais trabalho desenvolve.

 

A cooperação entre as Misericórdias portuguesas e a Santa Casa de Macau acontece num momento em que as instituições vivem contextos económicos muito distintos. Mas, apesar das diferenças, a essência do trabalho é muito semelhante, destaca Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, porque as áreas de intervenção são as mesmas: “A necessidade de tomar conta das crianças e formá-las e a necessidade de tomar conta dos idosos e de lhes permitir um fim de vida digno, por exemplo. Os problemas micro não são tão diferentes assim”.

 

Em Portugal, as Misericórdias não têm mãos a medir: o desemprego faz com que cada vez menos filhos tenham dinheiro para cuidar dos pais na velhice e são mais os pais com dificuldades para pagar a educação dos filhos, recorda Manuel de Lemos. O país está a envelhecer e os cortes do Governo são do conhecimento público.

 

“As Misericórdias, ao longo destes anos de crise que vivemos, têm sido a grande almofada social. Se não houvesse Misericórdias teríamos tido gravíssimos problemas sociais”, afirma o presidente da UMP, salientando que este reconhecimento vem das mais diferentes áreas, da política a entidades estrangeiras.