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Neto Valente: “Apodrece-se ou morre-se” nas urgências
Sábado, 22/11/2014

Jorge Neto Valente entende que, desde a transferência de administração, registou-se um desenvolvimento económico e social muito grande em Macau. “De uma maneira geral foram anos bons, em que se fez muita coisa. Há também pontos negativos. A qualidade de vida não melhorou para toda a gente. Aumentaram-se os vencimentos, mas a inflação é pesada. O poder de compra e a qualidade de vida das pessoas não aumentaram na proporção dos aspectos positivos”, analisa o presidente da Associação dos Advogados, convidado desta semana do programa Rádio Macau Entrevista.

 

Neto Valente aponta uma situação que classifica como muito negativa: “No centro da cidade é preciso policias para regular o tráfego pedonal. Os milhões de pessoas que vêm a Macau não têm condições para circular e ir embora com uma boa imagem” do território.

 

Na entrevista, explica que não defende revisões pontuais e constantes dos Grandes Códigos, mas mostra estar de acordo com o deputado Gabriel Tong: deve haver uma comissão de acompanhamento que prepare as revisões globais. O que se tem passado com o Código Comercial, Processo Penal e Penal, que sofreram revisões em cima de revisões, “não é um bom caminho”, diz.

 

Em relação ao futuro político de Macau, Jorge Neto Valente insiste que o sufrágio directo não é a panaceia para os problemas da cidade. “Sofro horrivelmente quando vejo nos órgãos de comunicação social citados como democratas pessoas que, da democracia, apenas querem o sufrágio universal”, afirma. “Não se pode dizer que os melhores deputados da Assembleia Legislativa sejam os eleitos pelo sufrágio directo e universal. Há deputados pelo sufrágio directo que são apenas populistas.”

 

Quanto à divisão da riqueza em Macau, Jorge Neto Valente entende que em Macau não há mendigos, nem miséria. “Macau não tem mendigos. Vou a Itália, a Portugal e vejo mendigos. Em Macau não há gente a dormir na rua, se dormem na rua é porque querem. Em Macau, não há miséria, há pobreza. Não somos todos iguais. Uns têm mais dinheiro que os outros. Vale mais ser rico e ter saúde, do que ser pobrezinho e doente”.

 

A propósito de saúde, Jorge Neto Valente critica as novas urgências do Centro Hospitalar Conde de São Januário: “Houve muito cantiga, muita música, muitos foguetes acerca do aumento da urgência do hospital público e agora temos dezenas de pessoas à espera da triagem. Com mais médicos bons – e sem medo de os recrutar – talvez não fosse preciso tanta capacidade na urgência. Neste momento, as pessoas ficam a apodrecer ou a morrer na urgência. Não há médicos suficientes para fazer a triagem que devia ser feita”.

 

A principal tarefa do Chefe do Executivo, no segundo mandato, deve ser pôr tudo a funcionar, defende Jorge Neto Valente, que reclama também mais capacidade de decisão política. “A marca para o segundo mandato [deve ser] pôr tudo a funcionar, manter a paz e a harmonia social, talvez com menos consultas e mais decisão política, porque faz falta. Não se pode pôr a opinião dos ignorantes e dos idiotas ao mesmo nível das pessoas que sabem e que pensam”, atira.