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Deputados preocupados com o futuro do sector do jogo
Terça, 18/11/2014

A quebra nas receitas do jogo e o aproximar da entrada em funções de um novo Governo, que terá por missão renegociar os contratos de concessão com as operadoras, deram o mote aos conselhos que alguns deputados quiseram deixar, esta tarde, na Assembleia Legislativa.

 

Ng Kuok Cheong diz que a quebra das receitas nos últimos cinco meses “representa o fim do aumento rápido e constante”, mas as operadoras continuam a construir novos projectos. “As empresas concessionárias vão aumentar a oferta, mas a procura não vai aumentar de modo algum”, diz o deputado, alertando que o sector mais importante da economia de Macau está a entrar “numa armadilha com excesso de produtos”.

 

Por isso, numa intervenção no período antes da ordem do dia, Ng Kuok Cheong aconselha o Governo a “orientar as concessionárias a investirem parte dos lucros na substituição dos projectos velhos pelos novos, a fim de manter o sector atractivo”. Se houver “apenas a ampliação brutal” da escala do sector, avisa Ng Kuok Cheong, “só se vai sobrecarregar mais a capacidade de acolhimento de Macau, agravar os conflitos entre as partes patronal e laboral, e impedir a diversificação sectorial”.

 

Para evitar colocar Macau “num grande risco económico”, o deputado sugeriu que “as autoridades devem definir uma política que preveja o provimento de trabalhadores locais nos postos de supervisor e de ‘croupier’, limitando também o aumento do número de mesas de jogo a uma taxa de crescimento anual de 3 por cento, mesmo que haja novos investimentos”.

 

De acordo com Ng Kuok Cheong, o Governo deve, ainda, “orientar” as operadoras de jogo “a transferir as suas mesas de jogo e os trabalhadores para os novos projectos”, e “transformarem as suas antigas instalações de jogo em sedes para convenções, indústrias culturais e criativas, ou para outras finalidades que contribuam para a diversificação económica”.

 

Noutra intervenção, o deputado Tommy Lau também defendeu que se mantenha “a estabilidade do desenvolvimento da indústria pilar de Macau”, ao mesmo tempo que se deve “pensar nos passos do desenvolvimento da diversificação”.

 

Mais formação profissional, pediu o deputado, já a pensar que, “na segunda metade do próximo ano, vamos ter uma segunda vaga de desenvolvimento e prevê-se que, nessa altura, as receitas do jogo vão crescer novamente em flecha”. Tommy Lau espera que as outras indústrias consigam ter, igualmente, “espaço de crescimento e sobrevivência”.

 

Numa nota mais cautelosa, Tsui Wai Kwan olhou para a quebra nas receitas e alertou para a “necessidade de a população se preparar bem antes da tempestade”.

 

A fórmula do deputado é “união” no “rumo à diversificação”, “fugir às polémicas” e “não dar oportunidade aos que se aproveitam das ocasiões para destruir a harmonia”. O caso do “Occupy Central”, diz Tsui Wai Kwan, “deve servir de lição”.