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Jorge Fão critica “gafe política” de Chui Sai On
Sábado, 31/05/2014

O antigo deputado Jorge Fão diz ter ficado triste com os acontecimentos desta semana, relacionados com a proposta de lei do regime de garantias para os titulares dos principais cargos. O presidente da assembleia-geral da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) considera mesmo que o Chefe do Executivo cometeu uma “gafe política”.

 

“Eu fiquei muito triste, tenho pena que tenha acontecido tudo isto. O Chefe [do Executivo] tem estado muito retraído, resguardado talvez, para não cometer muitos erros. Faz sempre consulta para isto e para aquilo. Mas ao chegar quase ao fim deste seu primeiro mandato comete uma gafe de grande tamanho, foi um grande deslize político”, afirmou, no programa Rádio Macau Entrevista, que foi para o ar hoje ao meio-dia.

 

O antigo deputado considera ainda que os estrategas do diploma “não valem nada” e “deviam ser despedidos”. “Os estrategas deste projecto, não sei quem são, mas o que posso dizer é que não valem nada. E se o Chefe acreditou nesses estrategas, eu acho que é melhor despedi-los. O timing é absolutamente incorrecto”.

 

Quanto à imunidade do Chefe do Executivo, Jorge Fão considera-a “completamente descabida”. Já a ideia de que não se conseguem atrair para o Governo especialistas do privado sem que tenham mais garantias. “Um bom governante não deve resguardar-se com este tipo de imunidade. E mais, acho que é uma estupidez pensar-se que sem o regime não se consegue atrair talentos para o Governo. Eu creio que qualquer individuo, seja do sector público ou do privado, e particularmente do privado, se for convidado a ocupar um cargo de secretário ou mesmo de Chefe do Executivo, eles não vão pensar duas vezes (...) são cargos de muito prestígio”.

 

Sobre o regime dar mais garantias aos representantes do Governo que não são funcionários públicos, o presidente da Assembleia-geral da APOMAC entende mesmo que a proposta de lei foi feita para o secretário para a Economia e Finanças Francis Tam - o único do privado a compor o actual Governo. Jorge Fão ironiza, dizendo “coitado do Francis Tam (...) não acredito que precise dessa compensação para viver o resto da sua vida”.

 

Jorge Fão também não acredita que o regime venha alguma vez a ser aprovado, pelo menos enquanto o Governo for liderado por Chui Sai On. “Acho que o Chefe do Executivo vai por o diploma na gaveta e fechá-lo a sete chaves. Ele não é tão burro que não perceba esta situação, acho que ele quer falar mais deste assunto, pelo menos se ele continuar a ser o Chefe e tudo indica que sim”.

 

O antigo deputado apoia, ainda assim, um segundo mandato de Chui Sai On. Mas deixa o aviso: o Governo deve “tirar lições” do que se passou esta semana, porque as manifestações aqui vividas têm muitas parecenças com as que ocorreram, até há pouco tempo, em Taipé. “Tem a mão de alguém, não sei se esta mão é para bem do território ou para mal. Temos de ter um certo cuidado (...) fiquei surpreendido [com a adesão] (…) não são os velhinhos do passado, são pessoas muito novas, é mais um movimento estudantil, muito semelhante àquilo que se passou em Taipé. O Governo deve ter a sensibilidade e o faro político para perceber o que se passou em Macau”.

 

As declarações do antigo deputado e presidente da Assembleia-geral da APOMAC, Jorge Fão, podem ser ouvidas na íntegra na repetição do programa Rádio Macau Entrevista, segunda-feira às 10h30, e está ainda disponível na nossa página da Internet.