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Eleições europeias: UE deve pensar sobre o futuro
Domingo, 25/05/2014

A Europa deve procurar reflectir sobre o estado social que pretende no futuro. A ideia é deixada à Rádio Macau pelo jornalista do Canal Macau José Carlos Matias, mestre em Estudos Europeus.

 

“É preciso também encontrar soluções para que uma das conquistas e um dos factores importantes da identidade europeia – o modelo social europeu –, não sofra uma deterioração maior. Existe uma identificação de uma parte da população europeia com esta conquista civilizacional. Certamente que é importante que seja racionalizada, mas há o perigo de deitarmos fora o bebé com a água do banho. Este consenso em torno daquilo que, supostamente, essa identidade um bocado abstracta que são os chamados mercados tem da narrativa da necessidade de minguar as funções do Estado tem um impacto social muito sério e é preciso também reflectir sobre isso: que estado social é que a União Europeia pretende e os riscos – que já estão à vista de toda a gente – de um enfraquecimento e de um desmantelamento parcial dessas funções do Estado”, defende José Carlos Matias, em declarações ao programa Paralelo 22 deste domingo.

 

Também Ricardo Alexandre, editor do programa da Antena 1 Visão Global, defende a necessidade de uma Europa solidária e alerta para os riscos de alguns países se sobreporem a outros: “Aquilo que é mais convencional dizer é que a Europa deve encontrar mecanismos para evitar que a crise económica que aconteceu volte a repetir-se. E têm sido dados alguns passos nesse sentido, nomeadamente desde que Mario Draghi assumiu as rédeas do jogo. Mas eu diria que aquilo que é certamente mais importante – e resta saber até que ponto uma relativa viragem política pode contribuir para isso – é a Europa voltar a fixar-se nos valores da solidariedade entre os países que tornaram possível o projecto europeu, porque, sem isso, se continuarmos a ter uma Europa em que os mais fortes e, concretamente, um mais forte – a Alemanha – dita como quer as regras do jogo, não estamos imunes a novas crises e estamos certamente mais propensos a que possa acontecer aquilo que já aconteceu e não há muitas décadas. O projecto europeu foi a forma de evitar que a Europa estivesse ou voltasse a entrar em guerra. A prevalência e a proeminência de um determinado país sobre os outros, fazendo o que quer em relação aos outros, pode fazer regressar aquilo que ninguém deseja que regresse”.

 

Pode ouvir a análise dos jornalistas Ricardo Alexandre e José Carlos Matias às eleições europeias – que hoje terminam – na edição deste domingo do programa Paralelo 22, disponível neste site.