Em destaque

14 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.1522 patacas e 1.1278 dólares norte-americanos.

BIR: Fernando Gomes quer entregar carta a Cavaco
Domingo, 11/05/2014

O presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, Fernando Gomes, planeia entregar uma carta a Cavaco Silva, em que expõe as dificuldades dos portugueses na obtenção dos bilhetes de identidade de residente de Macau. Em causa estão os “entraves” burocráticos registados nos últimos tempos.

 

“Vamos ver se conseguimos fazer chegar ao Presidente da República uma reflexão escrita, relativamente à aprovação em tempo útil de pedidos de residência de portugueses que têm emprego garantido, aqui, em Macau. Penso que, burocraticamente, têm tido alguns entraves”, afirma Fernando Gomes, em entrevista ao programa Paralelo 22, emitido este domingo.

 

O antigo deputado e dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), Jorge Fão, também defende a intervenção do Presidente da República de Portugal. “O nosso presidente deve ter atenção em relação a eventuais portugueses que queiram regressar a Macau e também aos macaenses. Estou-me a referir aos macaenses no sentido estrito da palavra. São os mestiços que queiram regressar à terra. E os expatriados têm tido alguma dificuldade, que eu saiba, em conseguir o título de residência”, denuncia.

 

Cavaco Silva deve “falar com as autoridades locais para facilitar a vinda e permanência de mais portugueses para Macau porque só vai trazer mais benefícios para a identidade e cultura locais”, acrescenta Fão. Já a presidente da Casa de Portugal, Amélia António, lembra que este problema também afecta Macau porque é território com falta de mão-de-obra.

 

“O problema da vinda de alguns portugueses para aqui insere-se de certa maneira numa perspectiva económica. São portugueses que trazem uma mais-valia à RAEM, que participam no crescimento económico e na valorização dos serviços prestados. Portanto, de uma forma diplomática, alguma palavra sobre o assunto é com certeza importante”, indica a também advogada.

 

Amélia António acredita que Cavaco Silva está a par do que se passa. Por isso, o presidente português deve pedir esclarecimento às autoridades de Macau.

 

No entanto, há quem entenda que será difícil colocar o tema em cima da mesa. É o caso de José Luís Sales Marques.

 

“Não tenho a certeza que esse tema venha a ser colocado tão abertamente ou frontalmente pelo professor Cavaco Silva. Penso que as questões de política externa e as relações a nível dos ministérios dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da China passam pelo governo português e não propriamente pelo presidente”, nota o economista e presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau.

 

Sales Marques diz ainda que Cavaco Silva deve apostar num discurso aberto à cooperação com Macau. Porque Portugal pode “ajudar” o território a cumprir o papel de ponte entre a China e os países lusófonos.