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Especialistas pedem centro de desenvolvimento infantil
Domingo, 04/05/2014

Macau precisa de avançar com a criação de, pelo menos, um centro especializado na área do desenvolvimento infantil. A sugestão é deixada à Rádio Macau por Lei Pui Yi, pediatra do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHSJ). A médica especialista adianta ter já apresentado uma proposta nesse sentido aos Serviços de Saúde.

 

“No futuro, Macau precisa de criar um centro de avaliação, porque é necessário. Infelizmente, em Macau, temos falta de recursos humanos com aptidões profissionais, temos falta deste tipo de pessoas. Porque, mesmo quando procuramos este tipo de profissionais, é muito difícil”, explicou Lei Pui Yi, em declarações ao programa Paralelo 22, numa reportagem dedicada ao tema do autismo.

 

Segundo a médica, em Hong Kong, há seis centros deste género para toda a população – em Macau, diz, justifica-se pelo menos um. É que, de acordo com a pediatra, a avaliação dos problemas de desenvolvimento infantil, como é o caso das perturbações do espectro do autismo, deve ser feita por uma equipa multidisciplinar - o que não acontece actualmente na RAEM.

 

“Mesmo no nosso hospital não temos peritos suficientes, não temos uma equipa completa para avaliar as crianças com problemas de desenvolvimento. Por exemplo, se precisarmos de avaliar uma criança com problemas de desenvolvimento, precisamos de uma equipa inteira, precisamos de um médico pediatra de desenvolvimento, um psicólogo clínico, uma enfermeira especialista, uma terapeuta ocupacional, um técnico para os testes de audição, um para os de visão, também precisamos de um terapeuta da fala – todos estes peritos, agrupados, compõem uma equipa para a avaliação. Mas apenas temos médicos e psicólogos clínicos. Não temos os outros”, lamenta Lei Pui Yi, que explica que, no CHSJ, a avaliação vai sendo feita através da cooperação pontual de técnicos de outros departamentos do hospital.

 

A psicomotricionista Margarida Galamba, que acompanha crianças com pertubações do espectro do autismo, critica a forma como são feitos actualmente os diagnósticos em Macau e defende também a necessidade de se criar um serviço de diagnóstico “sério”, com uma “equipa multidisciplinar”: “Vão a Hong Kong saber [...]. Hong Kong, em termos de diagnóstico e de acompanhamento das crianças autistas, está anos-luz à frente de Macau”.

 

Pode ouvir esta reportagem hoje, ao meio-dia, no programa Paralelo 22. O magazine de informação da Rádio Macau é retransmitido na 98 FM na terça-feira, às 10h30, podendo ainda ser ouvido aqui, na nossa página da Internet.