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David Green: 257 mil milhões em receitas do jogo em 2011
Quarta, 27/07/2011
As receitas brutas dos casinos de Macau devem atingir este ano os 32 mil milhões de dólares americanos, ou seja, cerca de 257 mil milhões de patacas – acima dos cerca de 188 mil milhões obtidos no ano passado. A previsão foi avançada hoje pelo especialista na área do jogo, David Green.

“A projecção para este ano penso que rondará os 32 mil milhões de dólares americanos. Ao longo dos próximos três anos, diria que provavelmente estaremos a falar de números na casa dos 45 a 40 mil milhões de dólares americanos, no máximo. Para que consigamos alcançar esses 50 mil milhões, temos que acrescentar por ano o valor da strip de Las Vegas às nossas receitas brutas do jogo. Ora, realisticamente, isso vai ser muito difícil, porque levou 50 anos até que a Strip de Las Vegas se desenvolvesse até ao ponto em que está hoje, e pensar que Macau conseguiria fazer isso todos os anos ao longo dos próximos três anos é ser um bocadinho optimista”, afirmou o sócio-gerente da consultora Newpage Consulting, a quem o Governo encomendou recentemente a realização de estudos sobre o desenvolvimento do sector do jogo.

David Green falava hoje aos jornalistas depois de uma sessão no Mandarin Oriental, organizada pela Associação Empresarial Britânica de Macau e a revista Macau Business.

Sobre o futuro do sector do jogo em Macau, David Green espera “mais do mesmo”: “Macau está numa trajectória de crescimento que não é provável que pare a curto prazo. Tudo dependerá um pouco do futuro desenvolvimento do Cotai, não apenas em relação aos novos casinos e aos hotéis, mas também em relação às atracções não ligadas ao sector do jogo e ao alojamento adicional para que seja possível acolher convenções de maior dimensão.” Segundo o perito, uma das áreas que Macau poderia explorar é o desenvolvimento de software ligado à indústria do jogo.

Olhando ainda para o futuro, o especialista lembra que os investidores começam a preocupar-se com o que vai acontecer depois de terminado o prazo das actuais concessões de jogo, que expiram a partir de 2020 - sobretudo quando se espera que haja novos projectos no Cotai em 2016.

“O final das concessões é um assunto a que os investidores estão atentos. Os investidores em Macau estão condicionados por elevadas taxas de retorno. Tudo o que pareça ser um curto período não será tão atractivo para eles, num mercado tão competititivo como o que temos. 2004 não os teria preocupado muito, quando o Sands abriu. Mas, agora, os períodos de retorno são mais longos porque os investidores são maiores. Portanto, é uma preocupação realista para eles saber o que vai acontecer depois de 2020 ou 2022”, afirmou David Green.

Quanto à idade mínima para entrar e trabalhar nos casinos – um diploma em discussão na especialidade na Assembleia Legislativa -, David Green considera que a medida é adequada e não vai ter efeitos adversos na indústria.

Já sobre a forma como o limite do número de mesas de jogo definido pelo Governo – 5500 até 2013 – vai afectar os novos projectos do Cotai, David Green é cauteloso: “As pessoas não vão gastar milhares de milhões de dólares em propriedades no Cotai sem ter qualquer garantia relacionada com a capacidade de jogo. Mas a forma como isso se vai processar é algo que não posso comentar, porque isso será algo que as operadoras terão que discutir com o Governo. Na minha opinião, haverá algum compromisso, mas se as propriedades vão ser construídas vão precisar de algum tipo de capacidade de jogo.”

David Green entende ainda que Macau não será afectado pelos novos casinos de outras regiões, como Singapura, e acredita que não existem argumentos para Macau reduzir o actual valor do imposto sobre as receitas do jogo, que é de 35 por cento.