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Caso Amorim: legistas refutam em tribunal tese de suicídio
Segunda, 24/03/2014

Não há indícios de que o jovem Luís Amorim tenha morrido devido à queda de uma ponte, afirmaram quatro médicas legistas portuguesas, ouvidas em Coimbra, no âmbito de uma acção que os pais do adolescente intentaram contra a RAEM. A edição de hoje do jornal Ponto Final avança que as médicas do Instituto Nacional de Medicina Legal foram inquiridas na sexta-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, na sequência de uma carta rogatória, e os seus testemunhos contrariam a tese de suicídio.

 

As peritas dizem ter verificado indícios de morte não imediata, ou seja, Luís Amorim terá sobrevivido durante algumas horas, mas acabaria por não resistir às lesões. É assim refutada a tese de suicídio por salto da ponte, porque isso significaria uma morte imediata e, além disso, no corpo não foram encontradas lesões consentâneas com a queda de altura.

 

No tribunal de Coimbra, os quatro testemunhos foram assim todos no sentido de que existiu homicídio. As médicas-legistas explicaram que os indícios demonstram “arrastamento do corpo” e que Luís Amorim terá ainda sofrido agressões directas e repetidas. De acordo com as médicas portuguesas o corpo do jovem apresentava lesões provocadas por um “objecto de natureza perfuro-contundente” e ainda uma fractura no antebraço direito – fractura esta omitida no relatório da autópsia efectuada em Macau. Uma das especialistas disse mesmo que esta fractura “é compatível com um mecanismo de autodefesa perante agressão directa” e que há vestígios de “traumatismos directos repetidos”.

 

As legistas apresentaram os principais resultados de uma segunda autópsia, feita em 2010, ao corpo de Luís Amorim, que foi encontrado morto, em Macau sob a ponte Governador Nobre de Carvalho, três anos antes, a 30 de Setembro de 2007. Durante os testemunhos, as legistas deixaram ainda críticas ao relatório da primeira autópsia, realizada em Macau – uma delas considerou que o documento era “muito, muito insuficiente”.

 

As autoridades de Macau concluíram que a morte do jovem de 17 anos se tratou de um suicídio e acabaram por arquivar o caso. Mas os pais de Luís Amorim não se conformam. Agora, na acção intentada contra a RAEM, alegam que houve negligência por parte das autoridades locais no decurso da investigação à morte do filho. O casal pede uma indemnização civil no valor de 15 milhões de patacas.