Em destaque

21 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.21 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

Caso Raymond Tam: lista sobre campas domina sessão
Sexta, 07/03/2014

Na sessão desta manhã do julgamento de Raymond Tam, presidente suspenso do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), e de outros três arguidos, foi de uma lista sobre informação das dez campas que se falou durante a inquirição de Armando Jesus. A testemunha foi, até Outubro de 2010, chefe do departamento de arquivo e desde então é chefe de divisão do laboratório.

 

Na inquirição do Ministério Público, Armando Jesus começou por descrever os procedimentos de distribuição e arquivamento dos documentos do IACM. A testemunha recorda-se de, a 5 de Março de 2010, terem sido enviadas duas caixas pretas com documentos para o gabinete da secretária para a Administração. E lembra-se porque, diz, geralmente não eram enviados tantos documentos de uma só vez.

 

Nesses documentos, Armando Jesus assegura ter visto uma lista onde constava informação sobre as dez campas. Questionado se soube se os documentos voltaram ao IACM, a testemunha diz não saber, porque, acrescentou, se chegaram como informação confidencial foram remetidos para o gabinete do presidente.

 

A assistente Paulina Alves dos Santos insistiu ainda na existência desta lista, com a testemunha a afirmar que estava dentro da caixa e que a tinha visto.

 

Já a defesa tentou desmontar estas declarações,  alegando que a lista foi elaborada já depois de Março de 2010. Uma lista que, alega a defesa, foi enviada para o Ministério Público e não para a secretária da Administração e Justiça, Florinda Chan.

 

Inquirido por Álvaro Rodrigues, advogado de defesa, Armando Jesus, com base em documentos sobre os registos informáticos do IACM, afirma que a informação das 10 campas esteve entre 23 de Junho de 2008 e 13 de Abril de 2010 com Ng Peng In, ex-administrador do IACM. Ainda assim, Armando Jesus insistiu que viu a lista sobre as dez campas nas caixas enviadas ao gabinete da secretária.

 

Hoje foi também concluída a inquirição à testemunha José Assis, que, como já tinha afirmado na sessão anterior, tinha cópias dos documentos das dez campas. Na inquirição da advogada de defesa Icília Berenguel, a testemunha disse ter ideia de que os documentos chegaram até si através do chefe de departamento, na altura, julga ele, António Siu. Mas a defesa alega que a 5 de Março de 2002 quem estava no cargo era Ng Peng In.

 

No final da sessão desta sexta-feira, o advogado Álvaro Rodrigues afirmou que é “triste estar a sujeitar estas pessoas [os arguidos] a um vexame na imprensa”. O julgamento, recordou o advogado, começou em Dezembro e até ao momento só foram ouvidas seis das 40 testemunhas previstas. O juiz disse esperar que o julgamento se faça “o mais depressa possível”, lembrando que as “discussões entre as partes” se devem fazer fora da sala de audiência. As trocas de palavras, sobretudo entre a assistente e os advogados de defesa, têm sido frequentes. 

 

O julgamento continua na próxima sexta-feira, dia 14 de Março. A testemunha Armando Jesus vai continuar a ser ouvida.