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Ex-administrador do IACM Ng Peng In arrisca processo crime
Sexta, 14/02/2014

O juíz autorizou a extração de uma certidão para instauração de um processo crime ao antigo membro do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), Ng Peng In. O actual assessor de Cheong U foi ouvido como testemunha, durante várias sessões no processo que envolve o presidente suspenso do IACM, Raymond Tam, e outros três funcionários da instituição.

 

O pedido foi apresentado ao tribunal pelos advogados dos primeiros três arguidos – Raymond Tam, Lei Wai Wong e Fong Vai Seng – por entenderem que Ng prestou falso depoimento. A revelação foi feita, esta manhã, em mais uma sessão de julgamento dos quatro arguidos, em que foram ouvidos mais duas testemunhas.

 

João Manuel Neves, que outrora trabalhava no departamento que geria os cemitérios, participou em 2010 na procura dos documentos sobre as dez campas. A pedido do arguido Fong Vai Seng, chefe do Departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento, Neves – em 2010 e já quando há vários anos trabalhava em Coloane – esteve no arquivo da Barra a tentar procurar os documentos sobre as dez campas. Mas não encontrou nem documentos originais, nem cópias. Uma participação que, diria mais tarde quando inquirido pela defesa, se justificava com o conhecimento que tinha sobre o departamento e pelo facto de ser uma pessoa organizada.

 

João Manuel Neves diz que ainda tentou procurar a informação pretendida no arquivo informático, mas já não tinha acesso. A assistente Paulina Alves dos Santos insistiu se tinha questionado alguém sobre esse bloqueio, mas a testemunha diz que não.

 

Quando inquirido pela defesa de três arguidos, João Manuel Neves disse que era normal esse impedimento, uma vez que já tinha saído do departamento há muito tempo.À defesa, a testemunha afirmou ainda nunca ter sentido pressão para atrasar a procura dos documentos.

 

Na sessão de hoje, foi ainda ouvido António Sio, também funcionário do ICAM, que soube da procura dos documentos sobre as dez campas através do superior, Fong Vai Seng, na sequência de um despacho do Ministério Público. Comunicações que chegaram no mesmo dia.

 

No relatório que lhe foi pedido que fizesse, por ter conhecimentos para tal, e que fez em dois dias, António Sio dizia que participar na procura dos documentos era uma “demora desnecessária”, porque não só já não estava naquele serviço há muito tempo como enquanto lá trabalhou não tinha tido contacto com os arquivos.

 

Questionado pela defesa se na lista de documentos que elaborou para deixar a Ng Peng In, que o sucedeu quando saiu do cargo de chefe de Serviço de Ambiente e Zona Verde, havia referência às dez campas, António Sio afirmou que tem 90 por cento de certeza que nada havia sobre o assunto.

 

A próxima sessão do julgamento está agendada para dia 21 deste mês.