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Comunidade de Macau homenageou Francisco G. Pereira
Domingo, 15/12/2013

Francisco Gonçalves Pereira foi, esta tarde, homenageado, na residência consular, por pessoas de vários quadrantes da sociedade. A comunidade de Macau recordou as qualidades do advogado e investigador, no dia em que se assinalam os dez anos da sua morte. 

 

Frederico Rato foi um dos amigos presentes. O advogado destaca a presença diária de Francisco Gonçalves Pereira, no escritório de advocacia, que continua a guiar-se pelos princípios por ele incutidos. “Nós recordamos a presença dele, eu diria quase que diária naquele escritório, na discussão dos assuntos de forma democrática e saudável (...) ele ainda nos inspira muita da gestão que fazemos do nosso escritório, quer a gestão do longo prazo quer a do dia-a-dia. Isto é capaz de ter parecer esotérico ou metafísico, mas, eu diria que ele ainda é um guia para nós, como fundador daquele escritório”, apontou, em declarações à Rádio Macau.

 

Já o presidente da Associação dos Advogados de Macau recorda Francisco Gonçalves Pereira como um visionário, que teve a capacidade de “antecipar” o que outros “não anteciparam”. Neto Valente frisa ainda que o homenageado “escreveu e disse coisas” que não agradam a quem está no poder. “Apontou as limitações, os condicionamentos que eram impostos à Administração portuguesa pelo soft power e pelo poder económico da China (...)na altura, muita gente não gostava de ouvir isso, como hoje não o querem admitir que era assim, mas era assim (...) ele objectivou essa percepção, foi capaz de fazê-la quando outras pessoas não foram capazes", sustentou, acrescentando que ele era, além disso, “um bom advogado” e “um homem brilhante”, que “não era fanático” e “criava empatias em todos os quadrantes”.

 

Na cerimónia de homenagem foi lançada a versão chinesa do livro de Francisco Gonçalves Pereira: “Portugal, a China e a Questão de Macau”. A tradução foi da iniciativa do Instituto Português do Oriente (IPOR), que contou com o apoio da Fundação Macau e do consulado-geral de Portugal, bem como o incentivo de várias personalidades.

 

O director do IPOR, João Laurentino Neves refere ser importante que esta “obra preciosa” chegue ao público chinês. "A obra continua a ser de referência no estudo daquilo que é o estatuto político, o estatuto jurídico de Macau. Era uma matéria demasiado preciosa para ficar restringida apenas à língua portuguesa e a um determinado público. Para nós era essencial (...) ter um leque mais alargado de leitores e manter-se mais viva", disse, em declarações à Rádio Macau.