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La Scala: arquitectos favorecem tese da defesa
Quarta, 03/07/2013

Os testemunhos de Carlos Couto e de dois outros arquitectos, no âmbito do julgamento do processo La Scala, vieram contradizer a tese do Ministério Público sobre os arguidos Steven Lo e Joseph Lau. A acusação entende que os empresários de Hong Kong tiveram informações privilegiadas em relação à venda dos cinco terrenos em frente ao aeroporto, baseando-se, sobretudo, no estudo preliminar, encomendado pela Chinese Estates Holdings, de Joseph Lau, em Fevereiro de 2005.

 

Na audiência, os arquitectos realçaram que é normal os empresários interessados num determinado lote, encomendarem projectos preliminares para efeitos de negociação. Carlos Couto, que hoje foi a primeira testemunha a ser ouvida no Tribunal Judicial de Base, afirmou que os estudos conceptuais “podem ser feitos em três quatro dias”. O mesmo foi dito à tarde, pelos arquitectos da empresa Heng Ip, envolvidos na elaboração de dois estudos preliminares para a Chinese Estates Holdings.

 

A tese da acusação é substanciada também no facto do estudo posterior, de Junho, ter sido concluído em 10 dias – prazo dado pelas sociedades vendedoras dos terrenos junto ao aeroporto para apresentação das propostas para a consulta. Além disso, o Ministério Público considera os dois projectos conceptuais demasiado detalhados, dadas as circunstâncias.

 

Carlos Couto tem uma opinião diferente. O arquitecto, que trabalhou como consultor no projecto do La Scala entre 2006 e 2011, ao ver estes estudos anteriores, avaliou-os como “primários”. Os desenhos à mão, do estudo de Fevereiro, “serviriam somente para uma discussão entre os arquitectos e o cliente”, acrescentou.

 

A defesa de Steven Lo realçou mais uma vez que os terrenos pertenciam a sociedades privadas, constituídas para a venda dos lotes, que até já tinham sido promovidos antes da criação da RAEM. Inquirido pelo advogado Neto Valente, Carlos Couto afirmou ter visto, nessa altura, estudos conceptuais dos terrenos, elaborados pelos arquitectos de Macau Eddie Wong, Bruno Soares e Vicente Bravo. Couto chegou a ser convidado para ir a Hong Kong, local onde também foram apresentados esses estudos, numa tentativa de se atrair investidores. Estas declarações fizeram Neto Valente sublinhar em tribunal que não havia segredo sobre o destino dos terrenos.

 

Steven Lo e Joseph Lau são acusados de subornarem o ex-secretário Ao Man Long em 20 milhões de dólares de Hong Kong, para serem favorecidos na consulta por convite para a venda de cinco terrenos. No entanto, a defesa tentou também demonstrar que, enquanto secretário, Ao Man Long indeferiu por várias vezes os planos de aproveitamento, apresentados pela Moon Ocean. Carlos Couto referiu que, por várias questões técnicas, os arquitectos do La Scala tiveram de ajustar o projecto.