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La Scala: relatório preliminar volta a estar em foco no TJB
Segunda, 01/07/2013

Os advogados de Steven Lo e de Joseph Lau insistiram que o facto de a Chinese Estates Holdings ter encomendado um relatório preliminar para os terrenos junto ao aeroporto não significa que os empresários de Hong Kong tiveram acesso a informações privilegiadas. Desta vez, a defesa tentou mostrar isso mesmo, através do testemunho, no Tribunal Judicial de Base, do antigo chefe do departamento de projectos da empresa, Li Sau Lung.

 

O Ministério Público (MP) voltou a questionar o facto de o relatório preliminar ser bastante detalhado, face ao tempo que os arquitectos da empresa Heng Hip, também da região vizinha, tiveram para delineá-lo. Mas Li Sau Lung não soube dizer ao certo quanto tempo demorou o estudo conceptual a ficar concluído. O MP perguntou ainda se 10 dias seriam suficientes, ao que Li respondeu que “10 dias úteis é um prazo razoável”.

 

A ideia foi, no entanto, contestada pelo advogado de defesa de Steven Lo. Rui Sousa lembrou que um dos subordinados de Li Sau Lung falou, no tribunal, em três dias para a elaboração do relatório de 20 páginas.

 

Sobre o facto do estudo conceptual de Fevereiro de 2005 ser detalhado, o ex-funcionário do grupo Chinese Estates Holdings indicou que era uma exigência do patrão Joseph Lau. Li Sau Lung afirmou mesmo que o presidente da empresa, que adquiriu os terrenos do aeroporto através da subsidiária Moon Ocean, quando “vê um projecto mal feito até ralha”, factor que levou o funcionário a dar instruções à Heng Hip para elaborar o relatório preliminar “com bons desenhos”.

 

Questionado pela defesa dos empresários, Li Sau Lung disse ainda que os relatórios preliminares são normais no ramo do fomento imobiliário. O antigo responsável pelo departamento de projectos, entre Setembro de 2004 e Junho do ano seguinte, também confirmou que um estudo semelhante foi pedido por Joseph Lau para um projecto no Cotai, que acabou por não ir parar às mãos dos empresários de Hong Kong.

 

Steven Lo e Joseph Lau estão acusados de um crime de corrupção activa e de outro de branqueamento de capitais. O julgamento do La Scala continua na quarta-feira, dia em que vai ser ouvido o arquitecto de Macau Carlos Couto, da parte da manhã.