Em destaque

19 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.16 patacas e 1.12 dólares norte-americanos.

Revista “The Economist” dedica obituário ao padre Lancelote
Sexta, 28/06/2013

O padre Lancelote Rodrigues é esta semana a figura escolhida pela revista “The Economist” para o obituário que a antiga e prestigiada publicação reserva sempre a figuras de importância histórica e mundial.

 

Num artigo de página inteira, não assinado – como todos os textos da revista –, destaca-se o papel do padre Lancelote, falecido no passado dia 17 de Junho, aos 89 anos, no trabalho com os refugiados e como símbolo da tolerância de Macau.

 

Lê-se no texto que “para os milhares de refugiados que passaram por Macau, o padre Lancelote foi um sinónimo de felicidade e, mais importante, um portal para uma vida nova”.

 

Recorda-se que os refugiados eram muitos e de várias origens: primeiro, os descendentes de portugueses de Xangai, fugidos a Mao, a que se seguiram outros, nos anos 1960, durante a Revolução Cultural; nos anos 1970 e 1980, foi a vez de vietnamitas escaparem da guerra e chegarem a Macau em “barcos a transbordar”; finalmente, nos anos 1990, foram os timorenses assustados com o exército indonésio.

 

Todos, diz “The Economist”, foram recebidos por um Pare Lancelote cada vez mais velho, mas nem por isso “menos influente ou brincalhão”, e a revista lembra que “estava sempre pronto para pegar na guitarra”.

 

Lancelote Rodrigues, observa o obituário, “não era um moralista”, até porque era dado a “vários vícios”. Do mesmo modo, o padre, também não se importava com os rumores faziam dele um agente da CIA, a Agência Central de Inteligência do governo americano.

 

“Entre 1952 e 1967, o padre Lancelote”, lê-se no obituário, “recebeu ajudas dos Estados Unidos no valor de 90 milhões de dólares. Em troca, deu informações sobre a China comunista”, tendo recebido sempre qualquer agente da CIA com “um sorriso”. Quem quer que o pudesse ajudar, era bem-vindo.

 

“Embaixador da felicidade”, “The Economist” escreve que apenas duas coisas faziam o padre Lancelote triste: que os refugiados da China que conseguiram uma vida nova algures não tivessem reforçado mais os laços com o país natal, e que o cristianismo fosse perdendo influência em Macau.

 

Nos últimos anos, outros portugueses que mereceram o obituário da revista foram Ernesto Melo Antunes, capitão de Abril, falecido em 1999, e José Saramago, prémio Nobel da Literatura, desaparecido em 2010.