Em destaque

18 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.20602 patacas e 1.1314 dólares norte-americanos.

La Scala: Stanley Ho desagradado com escolha da Moon Ocean
Quarta, 26/06/2013

Patrick Huen, o consultor financeiro de Stanley Ho, disse hoje em tribunal que o fundador da STDM ficou desagradado quando soube do resultado do procedimento de consulta que escolhia a Moon Ocean como vencedora. No julgamento, a defesa de Steven Lo voltou a insistir que a STDM teve informação privilegiada e que a Moon Ocean conseguiu os terrenos porque ofereceu a proposta mais alta.

 

Ao ser inquirido pela defesa do empresário de Hong Kong, Patrick Huen, na altura, administrador da Lei Pou Fat – uma das cinco sociedades comerciais constituídas para a venda dos terrenos do aeroporto – reconheceu que o patrão Stanley Ho estava interessado nos lotes.

 

Como não conseguiu comprar nenhum por ajuste directo, Stanley Ho fez por a STDM ser convidada, juntamente com a Vigers, para o procedimento de consulta que abria caminho à aquisição dos cinco terrenos ainda disponíveis. Mas foi a Moon Ocean, através do convite da Jones Lang LaSalle, que acabou por vencer.

 

Neto Valente, advogado de defesa de Steven Lo, tentou mais uma vez demonstrar em tribunal que tal como diz a acusação não foram informações de antemão que ajudaram a Moon Ocean a vencer, mas sim o valor da proposta. Neto Valente afirmou que a STDM é que tinha informações privilegiadas, já que era accionista das sociedades comerciais e também da CAM - Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.

 

Patrick Huen admitiu que Stanley Ho sabia previamente da consulta, tendo até demonstrado interesse nos lotes aos outros accionistas, nomeadamente através de uma carta dirigida a Castanheira Lourenço, que representava o Governo nas sociedades, onde referia estar interessado na compra pelo valor da avaliação, encomendada a Savills.

 

A testemunha admitiu também que o patrão da STDM ficou insatisfeito com o resultado da consulta, favorável à Moon Ocean, até porque o valor que tinha apresentado para o lote 5 era o mais elevado entre as três propostas. Patrick Huen foi mais longe afirmando que Stanley “só gosta de ganhar” e que “quando perde é como uma criança a descarregar cólera”. 

 

Por isso mesmo, Stanley Ho deu indicações a Patrick Huen para que se abstivesse na votação para a aprovação do resultado do procedimento de consulta para a venda dos terrenos. Foi igualmente só nesta altura que o magnata reclamou do prazo de 10 dias para a preparação das propostas.

 

Na parte da manhã, foram ouvidos no Tribunal Judicial de Base ainda dois arquitectos da Chinese Estates Holdings, empresa de Joseph Lau, que confirmaram ao Ministério Público a elaboração de um relatório de viabilidade prévio para os terrenos, em Fevereiro de 2005. Mas, à defesa de Steven Lo, To Chun Fung e Ng Yik Hei realçaram que este tipo de relatório “é um procedimento normal” e sem “detalhe”.

 

De acordo com as testemunhas, só mais tarde, em Junho, “aperfeiçoaram” o relatório para o procedimento de consulta. Depois, face à impossibilidade de assinatura do projecto por parte dos arquitectos de Hong Kong, é que foi pedida a colaboração dos arquitectos de Macau Carlos Couto e Eddie Wong. To Chun Fung e Ng Yik Hei também indicaram que apenas em Dezembro começaram a trabalhar no desenho final do La Scala.

 

Steven Lo e Joseph Lau estão acusados de um crime de corrupção activa e de outro de branqueamento de capitais. A acusação fala num suborno de 20 milhões de dólares de Hong Kon ao ex-secretário Ao Man Long.