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José Isaac Duarte: Montanha beneficia sobretudo Zhuhai
Sábado, 23/03/2013

O desenvolvimento da Ilha da Montanha vai trazer benefícios económicos sobretudo para Zhuhai, considera o professor universitário José Isaac Duarte. Convidado desta semana do programa Rádio Macau Entrevista, o economista alerta ainda para a necessidade de se prestar atenção ao que se passa do outro lado da fronteira, dada a fragilidade do modelo económico local.

 

"Obviamente que a Ilha da Montanha, como a China globalmente, proporcionará oportunidades a alguns agentes económicos em Macau e até proporcionará algumas oportunidades de emprego a trabalhadores de Macau, dada a proximidade. Mas isso já Zhuhai proporciona”, recorda. “Poderá haver até – e aponta-se nesse sentido – alguns incentivos especiais a essa ligação económica com a Ilha da Montanha”, acrescenta. No entanto, ressalva José Isaac Duarte, “o que vai desenvolver é Zhuhai e não Macau”.

 

Quanto à relações com a cidade vizinha, o economista diz que “gostaria que a Administração de Macau estivesse mais atenta à dinâmica de desenvolvimento de Zhuhai”, dada a ligação directa ao território. “Julgo que vivemos aqui num casulo, pouco atentos ao que se está a passar do lado de lá da fronteira e isso poderá ter alguns custos. Globalmente, a economia de Macau, se amanhã há uma SARS ou uma crise política séria nos mares do Sul da China, cai como um baralho de cartas.”

 

No que toca à diversificação da economia local – um aspecto em que o Governo Central tem vindo a insistir – José Isaac Duarte considera que se trata de um objectivo difícil de cumprir na conjuntura actual do território.

 

"No actual quadro económico, político e social de Macau, essa diversificação não é pura e simplesmente possível, porque ninguém pode concorrer com os casinos, e com os serviços hoteleiros e outros que circulam à volta dos casinos, em termos de pagamento. Terão sempre uma capacidade de atracção enorme para a mão-de-obra local e não local mais qualificada” analisa o professor universitário. “À medida que vão absorvendo essa mão-de-obra local, começam a criar-se situações de escassez nos outros sectores da economia, que só podem ser resolvidas pelo crescimento do número de trabalhadores não residentes”, sugere, salientando que “este período de desenvolvimento da economia coincide ainda, para agravar a situação, com a fase em que se começa a sentir a quebra da natalidade que existiu em Macau há cerca de 20, 25 anos".

 

A entrevista a José Isaac Duarte está disponível neste site.