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Arquitectos de Macau lamentam morte de Manuel Vicente
Domingo, 10/03/2013

Macau deve render uma homenagem a Manuel Vicente, pelo legado que deixou ao território e pela forma como tratou a cidade, defende Maria José de Freitas, na reacção à morte do arquitecto. Em declarações à Rádio Macau, Maria José de Freitas recorda que muito do que existe hoje na cidade se deve ao arquitecto.

 

“Sem dúvida que teve uma intervenção grande em Macau. A Macau que conhecemos hoje em dia advém muito da intervenção de Manuel Vicente, que foi um arquitecto de excelência. Gostaria de apontar o fecho da Baía da Praia Grande, uma das obras mais relevantes que Manuel Vicente teve no território”, diz, fazendo ainda referência ao World Trade Centre e aos edifícios do Fai Chi Kei, “que infelizmente já não podemos ver”.

 

A arquitecta destaca que a qualidade da obra de Manuel Vicente no território, algo que “hoje em dia permite que Macau tenha a qualidade de ambiente e a qualidade visual que tem”. “Isso deveu-se muito ao esforço de Manuel Vicente, pelo entendimento que teve de Macau, pelas vivências dele que transferiu no seu desenho de cidade, por aquilo que absorveu de Macau e pelo que procurou transmitir ao futuro. Devemos estar todos gratos por isso”, destaca. “Sem dúvida que Macau deve render uma homenagem gratificante e expressiva a este arquitecto que tanto contribuiu para que Macau fosse hoje aquilo que é”, remata Maria José de Freitas.

 

Em declarações à Agência Lusa, o arquitecto Carlos Marreiros afirmou que, com a morte de Manuel Vicente, perdeu um amigo e um mestre. Já Macau perde alguém que “significou a paisagem construída”. "Manuel Vicente foi um arquitecto muito criativo, às vezes roçando a genialidade, muito interventivo e muitas vezes polémico também, assinalou ainda Marreiros, que descreve a obra do colega como tendo “um desenho forte, não era um gesto de arquitectura para desaparecer, mas era um gesto para se impor, era uma arquitectura imponente neste sentido, independentemente da envergadura” da sua intervenção.

 

Para o arquitecto Rui Leão, Manuel Vicente “é uma figura gigante para Macau" por toda a arquitectura que deixou e pela forma como encarava a vida. "É uma figura gigante para Macau por toda a arquitectura que ele deixou, maravilhosa, comunicante, alegre, com vontade de perceber a cidade, os outros, a China, nós na China, tudo isto no meio de grandes revoluções e atribulações do modernismo do século XX, da vida dele, dos amigos, de todos nós e também daqueles que conhecia pelo caminho e no dia-a-dia", disse Leão, em declarações à Lusa.

 

Manuel Vicente morreu ontem em Lisboa. Tinha 78 anos. Viveu e trabalhou em Macau em dois tempos diferentes – entre 1962 e 1966 e depois entre 1976 e 2009. Em 2011, regressou à cidade, um regresso que resultou num documentário, e em que dizia não saber se voltaria de novo ao território. “O futuro a Deus pertence”, disse para a câmara da realizadora Rosa Coutinho Cabral. As cerimónias fúnebres estão marcadas para amanhã, segunda-feira, na capital portuguesa.