Em destaque

21 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.21 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

Auditoria critica contas do GDI para novo campus da Umac
Segunda, 14/01/2013

O Comissariado da Auditoria (CA) considera que o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) fez “uma estimativa completamente desfasada das despesas reais” nos cálculos para o novo campus da Universidade de Macau na Ilha da Montanha.

 

As obras começaram por ter um orçamento de 5,8 mil milhões de patacas, em contas apresentadas em Abril de 2010. Um ano e meio mais tarde, em Novembro de 2011, o preço disparou para 9,8 mil milhões. Já em Março do ano passado, a estimativa ia em 10,2 mil milhões de patacas, quase o dobro das contas iniciais. A disparidade dos números foi justificada pelo GDI com a inflação e o custo da construção na China Continental, mas a explicação não convenceu o CA.

 

No relatório hoje divulgado, o comissariado liderado por Ho Veng On chega à conclusão de que o GDI falhou não só nos factores de ponderação na estimativa inicial, como também esteve mal nas operações de revisão e actualização que se seguiram.

 

Na primeira estimativa, explica a Auditoria, ficaram de fora 57 despesas independentes associadas à construção que, na grande maioria, não foram incluídas na revisão ao orçamento apresentada no final de 2011.

 

O GDI ignorou ainda os custos e outros indicadores na China Continental, apesar de ser lá que a obra está a ser feita. Depois, o orçamento foi desenhado com base nos preços aplicados às habitações públicas e ao edifício do Tribunal de Última Instância – o comissariado entende que estas obras não podem ser tidas como referência para a construção de um campus universitário.

 

Mas há mais: a estimativa de 2010 do GDI teve como ponto de partida dados de 2006, referências “desactualizadas” que, sublinha a Auditoria, “nunca poderiam corresponder à realidade”.

 

O comissariado deixa ainda críticas às contas que o GDI fez em relação ao túnel subaquático, que começou por custar 500 milhões e já vai em quase dois mil milhões de patacas.

 

Em conclusão, a Auditoria entende que a estimativa feita é completamente desfasada das despesas de construção reais e critica o GDI por, apesar de ter recolhido ao longo do tempo novas informações, não ter actualizado o orçamento. Para o comissariado, tudo isto faz com que a estimativa tenha “perdido a função de controlo que era suposto ter”. O CA remata lembrando ao GDI que “os ajustamentos financeiros resultantes de uma estimativa deficiente prejudicam a aplicação eficaz dos recursos públicos” de Macau.   

  

Na resposta do GDI ao relatório do Comissariado da Auditoria, o gabinete dirigido por Chan Hon Kit dá a mão à palmatória, prometendo aperfeiçoar os trabalhos no futuro e gerir com prudência as finanças públicas. O GDI diz porém que “o motivo de adoptar um valor estimado comparativamente mais baixo para calcular o custo dos serviços de concepção coincide com a consideração para economizar os fundos públicos”.