Em destaque

21 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.21 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

Crise global “desloca poder económico para sudeste asiático”
Quarta, 09/01/2013

A crise económica internacional vai deslocar os centros de poder para o sudeste asiático. A tese é defendida por Luís Morais, professor da Universidade de Lisboa, que veio à Universidade de Macau para um seminário no âmbito da cátedra Jean Monnet, dedicada ao tema “As causas da crise económica internacional e as consequências em termos de políticas de competitividade”.

 

De acordo com o académico, a situação de bloqueio económico e político, nos Estados Unidos, por causa do défice orçamental, e a dupla crise europeia, bancária e das dívidas soberanas, estão a abrir caminho para as economias do sudeste asiático. O contexto, entende Luís Morais, manifesta-se já de forma óbvia, e o professor acredita que “os eixos do governo económico mundial e de poder económico em termos internacionais estão cada vez a deslocar-se mais para o sudeste asiático, com oportunidades muito significativas para esta zona do globo, que, diversamente do que sucedeu noutros momentos históricos, escapou quase incólume à crise internacional”.

 

No sudeste asiático, Luís Morais destaca “o percurso notável” de vários países no sentido do “equilíbrio da regulação financeira e consistência das instituições”.

 

No campo das potências, a China surge como a mais natural, mas o académico lembra que “a grande questão que se coloca é a capacidade de a China manter este ritmo de crescimento que está novamente a recuperar e conseguir mantê-lo duradouramente”.

 

Na actual situação, defende Luís Morias que a China tem também um papel a desempenhar na solução da crise. Essa intervenção tem sido, nota o académico, particularmente evidente no caso português, já que “quando se fala num regresso aos mercados, o que se contempla muitas vezes é uma colocação privada de dívida junto de certos investidores em particular e, tanto quanto me é dado ver, investidores chineses serão um alvo preferencial”. Por isso, Luís Morais conclui que, “em termos de mercado, e considerando a crise tremenda das dívidas públicas soberanas e, em particular, do caso português, a China pode ser um ‘player’ fundamental”.

 

Mais cepticismo mostra o académico quanto às soluções para a crise que têm sido avançadas na Europa. Luís Morais entende que “um dos passos mais recentes, no sentido de uma maior união bancária com a transferência de poderes de supervisão para o Banco Central Europeu” peca por ser ainda “uma construção muito incompleta”. Deste modo, o académico diz não vislumbrar “sinais de ultrapassagem da crise”.