Em destaque

18 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.20602 patacas e 1.1314 dólares norte-americanos.

La Scala: Atestado médico de Joseph Lau adia julgamento
Segunda, 07/01/2013

O julgamento do caso La Scala foi de novo adiado, depois de, em Setembro último, não ter sido iniciado por causa da ausência da juíza Alice Costa, presidente do colectivo responsável pelo processo. Desta vez, o adiamento deveu-se ao facto de um dos arguidos, o magnata de Hong Kong Joseph Lau, ter apresentado um atestado médico.

 

Mas o presidente da Chinese Estates Holdings não foi o único arguido ausente – ao todo, o processo junta oito arguidos, acusados de corrupção e de branqueamento de capitais. Só dois apareceram esta manhã no Tribunal Judicial de Base, entre eles Steven Lo, empresário de Hong Kong associado ao caso La Scala.

 

Quanto à ausência de Joseph Lau, o atestado médico que a defesa apresentou não caiu bem junto da acusação. O Ministério Público alegou que a imprensa tem dado conta da presença de Joseph Lau “em chás e festas”, argumento que não convenceu o colectivo de juízes, presidido por Mário Silvestre. Não obstante, o juiz pediu à defesa do arguido que forneça um relatório mais detalhado sobre o estado de saúde de Lau, de modo a poder ser feito o agendamento da próxima sessão de audiência.

 

Com o adiamento decidido, a manhã foi passada a discutir questões processuais, entre elas o facto de as cartas rogatórias pedidas por vários arguidos para a inquirição de testemunhas no exterior ainda não terem sido enviadas. Esta manhã, ficou a saber-se que o antigo coordenador do Gabinete para o Desevolvimento de Infra-estruturas, Castanheira Lourenço, é uma das testemunhas que a defesa de Steven Lo quer ouvir em Portugal, mas a carta rogatória ainda não chegou ao destino. Diz a lei processual de Macau que o julgamento só pode ser realizado depois de devolvida a carta rogatória ou findo o prazo para a realização do acto solicitado.

 

À colação veio ainda a questão dos chamados cadernos da amizade, as agendas utilizadas por Ao Man Long. Os advogados de Steven Lo e Joseph Lau pediram para ver o conteúdo destes cadernos e receberam autorização do tribunal. No entanto, quando finalmente tiveram acesso às anotações – o que aconteceu apenas na passada sexta-feira – puderam ver apenas quatro páginas parcialmente tapadas.

 

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que continua na posse dos cadernos, argumenta que as investigações ainda estão a decorrer. Os advogados não se conformaram e invocaram o sigilo profissional a que estão obrigados. O juiz prometeu contactar o CCAC para ver o que pode ser feito. Não foi marcada nova data para o julgamento.

 

Além de Joseph Lau e Steven Lo – acusados de terem subornado em 20 milhões de dólares de Hong Kong o antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas –, são arguidos neste processo Luc A.Vriens, o director executivo da Waterleau (empresa ligada às estações de tratamento de águas de Macau), o empresário Pedro Chiang (já condenado num processo anterior), Chan Meng Ieng (a mulher de Ao Man Long), Chan Ying Lun, Xu Jianping e Fong Chan Yau.

 

O processo é o quarto conexo ao do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas. Ao Man Long foi detido em Dezembro de 2006 e desde então foi julgado três vezes por crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais. Em cúmulo jurídico, o antigo governante foi condenado a 29 anos de prisão efectiva.