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Manifestação: Por Ka Ho, por mais dinheiro e contra o Japão
Segunda, 01/10/2012

Quase duas mil pessoas saíram hoje à rua em protesto. Na sede do Governo, foram entregues petições diferentes, uma vez que na manifestação participaram associações que reivindicam causas distintas – da habitação social a terrenos em Coloane, passando pelas Ilhas Diaoyu.

 

O protesto de maiores dimensões foi organizado pela Associação dos Direitos e Benefícios dos Moradores das Ilhas de Macau. Cerca de 500 pessoas – vestidas com uma t-shirt onde estava inscrito o carácter de “injustiça”, com chapéus de agricultor e retratos dos antepassados na mão – dirigiram-se ao Governo para exigirem o direito a explorar terrenos que alegadamente pertenciam às suas famílias.

 

Neste grupo encontravam-se residentes de Ka Ho e vizinhos de outras zonas de Coloane que quiserem mostrar solidariedade. “O Governo chegou e estragou as nossas casas. Temos os documentos, mas ainda assim arruinaram as nossas casas”, explicou uma das manifestantes, moradora em Ka Ho.

 

Outros participantes no protesto dizem que a vila ficou sem terrenos cedidos à Administração, ainda antes de 1999. São pequenas parcelas, como uma com pouco mais de 100 metros quadrados que, em 1979, os representantes da povoação de Ka Ho cederam à Administração do Conselho das Ilhas, para a construção de uma estação meteorológica – uma cópia do contrato foi reproduzida num dos cartazes que acompanhava os manifestantes.

 

O deputado Ng Kuok Cheong juntou-se ao protesto, tendo explicado que os moradores sabem que os terrenos pertencem à região. No entanto, os residentes querem voltar a explorar as parcelas. “Eles não estão a lutar contra o país. Só estão a tentar negociar com o Governo o mesmo que os promotores [do sector imobiliário] conseguiram. Entendem que a terra deve ficar com o Governo mas este, de acordo com o planeamento urbano, deve arrendar-lhes a terra para que a comunidade possa voltar a usá-la”, referiu.

 

Depois de entregue a primeira petição, chegaram outros grupos, entre eles a associação que defende a reunião das famílias (a concessão de residência a filhos que vivem no Continente), bem como um grupo que pede a venda de habitação só para quem é de Macau. Houve também quem tivesse ido à sede do Governo pedir um aumento da comparticipação pecuniária para 10 mil patacas.

 

Quase no fim do protesto, à Avenida da Praia Grande chegou um grupo de pessoas indignadas com o diferendo em torno das Ilhas Dioayu, na origem de um conflito diplomático entre a China e o Japão. Os cerca de 30 manifestantes transportavam cartazes contra o Governo de Tóquio, com cruzes vermelhas sobre o rosto do primeiro-ministro nipónico e fezes desenhadas por cima da bandeira japonesa. Contra o Japão, valeu quase tudo: um dos irados manifestantes descalçou o sapato e bateu na imagem de Yoshihiko Noda estampada numa das faixas, um gesto para as câmaras dos jornalistas e também da polícia, que filmou o protesto do princípio ao fim.  

 

De acordo com dados da PSP, nos protestos participaram 1900 pessoas, convocadas por sete associações. A polícia destacou 150 agentes para acompanharem a marcha, sendo que não foi registado qualquer incidente. Todas as associações deixaram petições na sede do Governo – o movimento que representa a reunião das famílias deixou um documento semelhante no edifício do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM.