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Neto Valente: “Venetian nunca pagou a Ao Man Long”
Sábado, 29/09/2012

A Venetian nunca fez qualquer pagamento ao ex-secretário Ao Man Long, garante o antigo administrador-delegado da operadora de jogo. No programa Rádio Macau Entrevista, Jorge Neto Valente fala do que correu mal no mega-caso Ao Man Long e deixa claro que se o antigo Chefe do Executivo tivesse testemunhado em tribunal, a transparência era maior.

 

A presença de Edmund Ho enquanto testemunha foi solicitada pelo empresário Pedro Chiang, mas o tribunal viu a possibilidade ser recusada por Chui Sai On – o actual Chefe do Executivo tinha de dar autorização ao seu antecessor por causa dos segredos da RAEM. Embora os advogados tivessem insistido que a matéria em causa era de natureza pública, de nada adiantou.

 

Neto Valente entende que a decisão não foi a melhor. “Nunca estive dentro desse processo. Se calhar Edmund Ho até podia ter ido e não ter adiantado muito, mas o facto de ele não ter sido autorizado a ir faz suspeitar que há alguma coisa que se quer esconder”, diz.

 

O advogado recorda que Ao Man Long respondia a Edmund Ho, pelo que a presença em tribunal teria sido importante a bem da transparência. Mas o presidente da Associação dos Advogados de Macau também considera que todos foram apanhados de surpresa, mesmo os que tinham ouvido falar que o ex-secretário recebia dinheiro. O ex-Chefe do Executivo também deve ter sido apanhado desprevenido, acredita Neto Valente, até porque “Ao Man Long era engenheiro e era um homem muito eficiente”.

 

“Ele [Ao Man Long] pode ter recebido dinheiro em muitas situações – não sei, porque eu não estava lá – mas fez muitas situações correctíssimas”, refere ainda. “Desenvolveu uma política útil à região”, entende, acrescentando que “mesmo que ele tivesse recebido em algumas situações, não recebia em todas” Neto Valente garante a operadora do jogo em que trabalhava na altura não fez qualquer pagamento ao ex-secretário: “Posso garantir que a Venetian nunca pagou nada ao secretário Ao Man Long”.

 

Ainda sobre o antigo responsável pelos Transportes e Obras Públicas, o advogado recorda que Ao Man Long “tinha ideias e punha as coisas a andar”, o que agora não acontece. “Há muita conversa, mas nada funciona e nada sai do papel. Aliás, nem no papel fazem as coisas”, critica, fundamentando o reparo com o facto de mais de 50 por cento do programa de obras e de investimentos da Administração não ser feito conforme o que está planeado, o que o leva a afirmar que o “coeficiente de realização da área das Obras Públicas é miserável”.

 

O advogado – que enquanto deputado foi o proponente de um projecto de lei de combate à corrupção – diz ainda ter mais medo da mediocridade na Administração do que da pequena corrupção. “Não se pode defender a estupidez e a mediocridade, porque hoje há muita estupidez e mediocridade. E há uma coisa terrível – é que as pessoas com medo de decidir indeferem ou não decidem, porque criou-se uma mentalidade de que se eu não fizer nada, ninguém me critica. E isso é terrível.”

 

O presidente da Associação dos Advogados acrescenta que “há muita gente que quer ser chefe mas que tem medo de decidir”. Por isso, defende, as pessoas com medo de assumir responsabilidades não devem ser promovidas.