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Desocupação de terreno em Ka Ho gera confrontos
Quinta, 13/09/2012

Cinco pessoas foram hoje detidas na sequência de confrontos em Ka Ho. O conflito aconteceu durante uma acção de despejo, na Estrada de Nossa Senhora, levada a cabo pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT).

 

Dezenas de moradores manifestaram oposição à acção da Administração, tentaram impedir o acesso dos responsáveis da DDSOPT ao terreno, e entram em confrontos com os agentes da autoridade. Os polícias recorreram a escudos, enquanto os residentes usaram as armas que tinham ao alcance: muitas palavras e ainda jactos de água com mangueiras de rega.

 

O director das Obras Públicas esteve no local e mostrou-se surpreendido com toda a situação. Jaime Carion garantiu que, na passada sexta-feira, tinha comunicado a decisão a dois representantes dos moradores, numa reunião que durou cerca de duas horas. “Nunca imaginei que isto iria acontecer, porque já tínhamos comunicado aos moradores a nossa decisão. Respeito-os e, francamente, se eu não lhes tivesse comunicado antes, a culpa seria minha, mas não foi isso que aconteceu (...) Nunca assistimos a um caso tão intenso como o de hoje. Sinceramente, em mais de 40 casos, nunca vi nada assim. Agora, se esta acção foi provocada pelo Governo ou pela outra parte? Vocês é que sabem, vocês é que avaliam”, disse aos jornalistas.

 

A DSSOPT decidiu avançar com a desocupação e devolução do terreno à Administração depois do Tribunal de Segunda Instância ter indeferido o recurso dos moradores. Mas os residentes, que moram no terreno em causa, defendem ser os legítimos proprietários. “Todos os residentes da vila já deixaram aqui raízes. São sete gerações, durante mais de 100 anos. Nós temos escrituras, mas o Governo não as reconhece. O que podemos fazer?”, apontou um dos moradores.

 

O residente questionou ainda as motivações do Executivo. “Há quantos idosos dentro destas casas? Os velhos também precisam de um tecto. Nós sempre vivemos aqui, podem até alegar que isto não tem lógica, mas já cá estamos há quase 200 anos. Nem o Governo português veio reaver o nosso terreno, qual a razão por que vem agora o Governo de Macau desocupá-lo?”, lançou. Apesar da contestação, a DSSOPT acabou mesmo por demolir uma das casas.