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Universidade de Macau debate línguas em contacto
Quinta, 06/09/2012

Começou hoje, na Universidade de Macau, a conferência Línguas em Contacto na Região Ásia-Pacífico. Durante dois dias debate-se o modo como idiomas influenciam outros idiomas, numa zona do mundo onde as línguas das minorias étnicas correm o risco de desaparecer.

 

A primeira iniciativa do género organizada em Macau junta académicos de diferentes pontos do mundo. A conferência é novidade no território, mas a cidade está habituada ao conceito, vinca Mário Piranhanda Nunes, responsável pela organização: “Temos várias pessoas de línguas maternas diferentes, no mesmo espaço, que estão em contacto”.

 

O professor da Universidade de Macau explica que o objectivo é criar um espaço de debate: “A ideia é criar um primeiro intercâmbio entre académicos, jovens pesquisadores e futuros pesquisadores.” A conferência junta oradores com muitos anos de investigação, mas também recebe trabalhos de alunos de doutoramento que quiseram contribuir para o debate sobre a região Ásia-Pacífico, uma zona rica em línguas onde o tema é ainda pouco estudado.

 

“Sabemos que estamos muito longe de outras áreas onde esta temática é mais estudada habitualmente. Foi também uma razão que me fez pensar em organizar a conferência aqui, porque durante os anos em que estive a fazer o mestrado e o doutoramento, quando quis procurar este tipo de formação para mim próprio, tive sempre de ir à Europa”, explica Mário Piranhanda Nunes.

 

O objectivo é fazer de Macau o primeiro sítio com uma conferência com esta amplitude geográfica, ao trazer académicos de regiões muito diferentes, para uma análise a um espaço com características próprias. “Há muitas línguas minoritárias que têm conseguido preservar a sua existência e identidade própria até mais recentemente do que noutras regiões”, refere o académico. Para esta manutenção contribuíram factores como a cultura, o isolamento e o contexto político.

 

No entanto, muitas destas línguas minoritárias têm enfrentado riscos, decorrentes da globalização e da imposição de idiomas nacionais – a Indonésia e a China são exemplos apontados por Mário Piranhanda Nunes, que destaca, porém, um despertar de uma consciência para a importância da preservação destes idiomas. Esta noção existe, sobretudo, ao nível da academia e de organizações não-governamentais. Com a conferência de Macau, pretende-se contribuir para um debate mais dinâmico.