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Académico: Mandarim pode acabar com línguas das minorias
Segunda, 03/09/2012

A imposição do mandarim como língua nacional faz com que os idiomas das minorias étnicas da China corram o risco de desaparecer se não houver um esforço para incentivar o bilinguismo. O alerta é deixado pelo investigador australiano David Bradley, um dos oradores que participa no workshop e na conferência sobre línguas em contacto na região Ásia-Pacífico, iniciativas que decorrem esta semana na Universidade de Macau.

 

A trabalhar há 20 anos na manutenção de línguas em vias de extinção – sobretudo na China e em países vizinhos como a Tailândia e a Birmânia –, David Bradley recorda que existem muitos idiomas no Continente, o que dificulta a contabilidade das línguas e a sua preservação, até porque vivem sobretudo da oralidade. O investigador ajuda a fixá-las, ao apoiar as comunidades no desenvolvimento de um sistema de escrita, que permite que os idiomas sejam ensinados nas escolas e que a literatura oral não desapareça.

 

A língua, defende o investigador, é importante para a identidade e para que as minorias percebam que são relevantes num espaço tão grande como a China, bem como a relação com os vizinhos, uma vez que alguns destes idiomas atravessam fronteiras, como é o caso do ‘bisu’.

 

“É uma língua falada em três aldeias na Tailândia, duas aldeias no Myanmar e uma aldeia na China. Criámos um sistema de escrita e as pessoas na Tailândia foram às aldeias no Myanmar, levaram-nas até à Tailândia e tentaram ajudá-las a desenvolver não só a língua, mas também a economia”, conta David Bradley. A China ainda não se juntou a este grupo, mas há pessoas do Laos que falam uma língua semelhante e que já estão a fazer um esforço de preservação do idioma.

 

No Continente, as minorias étnicas têm o direito constitucional de preservação de tradições e idiomas mas, diz o investigador da La Trobe University, a prática mostra um facto bem diferente: “Em todos os países do mundo existe uma pressão para que se aprenda a língua nacional. Na China esta pressão vai no sentido da aprendizagem do mandarim. Na China, as pessoas que são membros destes grupos, também sabem falar mandarim”.

 

A aprendizagem do mandarim não constitui um problema se houver em simultâneo um esforço de preservação da língua da minoria, vinca o investigador, referindo que os falantes devem sentir que ser bilingue é uma mais-valia. “Tentamos convencer as pessoas de que não é mau ser bilingue. Na realidade, é bom: ajuda em termos cognitivos, as pessoas têm mais capacidade de lidar com assuntos complexos do que as monolingues, que são menos flexíveis”, sublinha. Ao dominarem duas línguas, os membros das comunidades cumprem dois objectivos: falam a língua nacional e a da comunidade a que pertencem, a língua da identidade.