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La Scala: Governo está a analisar despacho de 2011
Quarta, 15/08/2012

O Executivo está a analisar, nos “termos legais”, um despacho datado de 2011 sobre a revisão da concessão dos terrenos do La Scala, explicou hoje o Gabinete do Porta-voz do Governo. A decisão do ano passado foi tomada com Lao Si Io à frente das Obras Públicas. “Em tempo oportuno”, promete o Governo, vão ser divulgados os resultados deste acompanhamento.

 

A actuação de Lao Si Io no caso La Scala tem sido alvo de críticas – aquando da revisão da concessão, o Comissariado contra a Corrupção tinha dado conhecimento de uma investigação ao secretário para os Transportes e Obras Públicas. A informação não obrigava a Administração a agir mas há quem entenda que o Governo deveria ter agido com cautela e não ter avançado nem com o processo de revisão da concessão, nem ter permitido que se desse início à venda dos apartamentos, ainda na planta.

 

As fracções começaram a ser comercializadas em Março, tendo sido vendidas cerca de 300, confirmou à Rádio Macau um relações públicas do escritório de vendas do La Scala. O escritório de Macau continua de portas abertas e, segundo a mesma fonte, não foi feito qualquer pedido de esclarecimento por parte dos investidores. As vendas em Macau estão suspensas depois de, em Junho passado, terem parado as transacções em Hong Kong, que terão já rendido à empresa 3,8 mil milhões de dólares de Hong Kong.

 

No site do La Scala, não há qualquer informação sobre o processo. A última notícia a ser colocada no sítio da Internet data de Março passado e diz respeito à venda dos primeiros 100 apartamentos do empreendimento detido pela Chinese Estates Holdings, uma empresa cotada na Bolsa de Hong Kong que tem como sócio maioritário o milionário Joseph Lau, constituído arguido num processo conexo ao do ex-secretário Ao Man Long.

 

A decisão de declarar a nulidade da concessão, tornada agora oficial, não surpreende – foi colocada ainda o último julgamento de Ao Man Long ia a meio. Mas acontece numa altura em que, aos olhos da justiça, Joseph Lau é inocente. O ex-secretário foi condenado por corrupção passiva pelo Tribunal de Última Instância, mas o julgamento de Lau, constituído arguido por corrupção activa, só começa em Setembro.

 

No âmbito do mega-caso Ao Man Long, não é a primeira vez que esta situação se verifica: também o empresário Pedro Chiang viu, antes de ser julgado, serem declarados nulos actos da Administração em relação a negócios que detinha.