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Túnel de Hengqin: Deputados com dúvidas sobre segurança
Terça, 14/08/2012

O relatório sobre o incidente na Ilha da Montanha parece ter gerado ainda mais dúvidas aos deputados à Assembleia Legislativa (AL) que já tinham questionado o Governo sobre a matéria. O tema esteve hoje em debate no hemiciclo, por onde passou o coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI). Chan Hon Kit deu várias explicações – inclusive de natureza técnica – mas a verdade é que o projecto, que vai assegurar o acesso ao novo campus da Universidade de Macau, parece inspirar pouca confiança a muitos deputados.

 

Numa sessão destinada a interpelações ao Executivo, o assunto foi abordado por Lam Heong Sang e Au Kam San, que pediram mais garantias sobre a segurança das obras. Mas houve outros deputados a dizerem de sua justiça – Paul Chan Wai Chi foi um dos que mais se destacou, ao duvidar das conclusões do relatório conhecido esta semana.

 

O incidente na estrutura, recordou o pró-democrata, aconteceu antes da passagem do tufão Vicente pelo território. “Todos os dias chove. Como é que se qualifica a chuva de intensa?”, questionou, fazendo referência a uma das causas apontadas no relatório. “Com duas chuvinhas [a estrutura] já cai? E, depois, escavação em excesso? E também fiscalização eficaz? Não podemos aceitar – há 14 equipas de fiscalização. Estão lá a dormir? A tomar café?”, atirou Paul Chan Wai Chi.

 

O deputado disse que não ficará surpreendido se os alunos do futuro campus da Universidade de Macau tiverem medo de passar pelo túnel. Já Melinda Chan perguntou ao coordenador do GDI se o empreiteiro da China tem experiência na construção de túneis. Antes de chegar a resposta, o deputado Mak Soi Kun tentou ajudar e propôs uma visita ao local.

 

“Será que também devemos fazer uma visita aos estaleiros das obras? Temos aqui profissionais do sector. Quem quiser ir, deve ir, para fiscalizar as obras, em prol dos residentes e do benefício de Macau”, sugeriu. Chan Hon Kit acolheu a proposta de Mak Soi Kun, empreiteiro de profissão.

 

O coordenador do GDI frisou que a derrocada foi causada pelos trabalhos de escavação, que não foram bem feitos, mas garantiu que a culpa não é do empreiteiro. “Este empreiteiro não é um empreiteiro qualquer – é uma entidade com ricas experiências. O acidente registado não foi por causa do empreiteiro geral, mas sim devido à execução em si”, sublinhou.

 

Chan Hon Kit garantiu ainda que as várias equipas de fiscalização – sob a alçada do Governo de Macau – têm cumprido a tarefa. “A entidade fiscalizadora em causa desempenhou bem as suas funções e conseguiu, através do sistema de alarme instalado, alertar o pessoal. Só na parte da execução é que se verificaram problemas”, constatou.

 

O representante do Governo fez também questão de esclarecer que o relatório foi assinado por uma universidade da China com mérito na área da engenharia civil – Au Kam San tinha criticado o facto de o relatório não incluir pareceres das equipas de fiscalização da RAEM. Chan Hon Kit disse ainda esperar que o incidente não se repita e prometeu fazer o possível para que haja segurança nas obras – trabalhos que estão a ser feitos na jurisdição da China Continental, com as regras da China Continental, mas com o dinheiro de Macau, sublinharam alguns deputados.

 

Os tribunos aproveitaram a deslocação de Chan Hon Kit à AL para perguntarem sobre as obras do futuro posto fronteiriço na zona do Canal dos Patos, mas o coordenador do GDI entende que ainda é cedo para falar do projecto.

 

Entre outros temas, na AL falou-se esta tarde das infiltrações nos prédios de Macau – um problema difícil de resolver, reconhece a Administração. O assunto foi abordado por Paul Chan Wai Chi, que salientou que há muitas pessoas prejudicadas com as infiltrações causadas pelos vizinhos. O deputado pretendia saber o que vai o Governo fazer para ajudar a resolver o dilema, acusando a Administração de não assumir a devida responsabilidade.

 

O presidente do Instituto de Habitação (IH), Tam Kuong Man, defendeu-se dizendo que a lei de Macau impede a entrada na propriedade privada, a não ser quando em causa está a saúde pública. O responsável pediu à população uma maior colaboração – os vizinhos têm de ser mais solidários.

 

O Governo tem desde 2009 um grupo para tratar das infiltrações e recebeu quase sete mil casos mas, em muitas situações, os residentes recusam apoio, acrescentou Tam Kuong Man. Ainda assim, o presidente do IH promete mais trabalho e um maior contacto com os proprietários dos edifícios, para que haja consciência de que têm a responsabilidade de reparar os prédios.