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Honorários foram negociados com a Sands, diz Leonel Alves
Terça, 17/07/2012

O advogado Leonel Alves garantiu hoje à Rádio Macau que os honorários cobrados à empresa de Sheldon Adelson estão de acordo com o que foi negociado pelo seu escritório com a operadora. Um artigo publicado nos Estados Unidos, resultado de uma investigação de um grupo da Universidade da Califórnia, diz que o valor – mais de 5,5 milhões de patacas – está a ser alvo de uma investigação das autoridades norte-americanas, acrescentando que é três vezes superior ao inicialmente pedido pelo advogado.

 

"Parece-me evidente que é um assunto propositadamente levantado para atingir outros objectivos. Todo o trabalho foi realizado, foi contabilizado, tenho colegas que trabalharam horas, dias e noites, e tudo o que foi apresentado foi negociado com o então CEO de Macau, que na altura não era Steve Jacobs, era o anterior”, defende-se Leonel Alves. “Foi tudo negociado em termos comerciais. Depois foram suscitadas e levantadas questões por pessoas que tiveram interesse em obstaculizar”, acrescenta. O artigo que foi hoje divulgado é acompanhado por correspondência interna da Las Vegas Sands, com vários emails entre Steve Jacobs e outros altos funcionários da operadora de jogo em que se aborda a questão dos honorários do advogado de Macau.

 

Quanto ao artigo, Leonel Alves diz que “não é surpreendente” e insiste que existe uma “campanha orquestrada e com objectivos muito pessoalizados”, que “tem que ver o ex-CEO da empresa, tem que ver com a sua guerra em relação ao número 1 da empresa”. “Servem-se de falsidades, de deturpações, misturam factos, descontextualizam-nos para arquitectar uma história e tentar denegrir a imagem das pessoas”, vinca o também deputado e membro do Conselho Executivo. “É o que tenho para dizer neste momento."

 

O artigo da Universidade da Califórnia publica ainda um email enviado por Leonel Alves ao advogado Luís Melo, à época dos factos consultor jurídico da Sands. Nessa correspondência, datada de 12 de Agosto de 2008, Alves escreveu que naquela semana estava “com mais tempo na DSSOPT para acompanhar e pressionar o evoluir do processo de revisão do contrato de concessão do terreno”.

 

O advogado explica o que significa “pressão”: "É no sentido de insistir. Quem trabalha em Macau e tem um assunto pendente na Administração, se não telefonar todos os dias, ou três, quatro vezes durante a semana, o assunto é esquecido. Se isto é uma pressão ilegítima, acho que não. Aqui em Macau, infelizmente, os circuitos administrativos são pesados e complexos, e é preciso fazer muitas insistências para que os assuntos andem”. Leonel Alves acrescenta que não foi o único. “Houve também arquitectos e outros profissionais, não de direito, que intervieram no processo para que o mesmo fosse acelerado e se chegasse a bom porto”, remata nas declarações à Rádio Macau.