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Leonel Alves: Ex-CEO da Sands “mandou negociar”
Sábado, 14/07/2012

Steve Jacobs, o antigo administrador executivo da Sands China, aceitou pagar até 500 mil dólares norte-americanos, em serviços de consultadoria, a um empresário para encontrar uma saída para os apartamentos do Four Seasons. A revelação foi feita por Leonel Alves, convidado desta semana do espaço informativo Rádio Macau Entrevista.

 

O advogado garante que se tratava de um processo legítimo, no âmbito de relações comerciais com um empresário de Macau – e afiança que o antigo responsável pela Sands China estava disposto a negociar. “A proposta do acordo era de 300 milhões de dólares americanos e recebi uma contraproposta do ex-CEO”, afirma Leonel Alves, frisando que o facto “foi omitido” no artigo do Wall Street Journal que dá conta da tentativa de negociação. “O que ex-CEO me disse, neste importante email omitido, era que para o caso de Taiwan não haveria pagamento nenhum e para o caso do apartamento-hotel, segundo a prática normal, para serviços de consultadoria, eram 250 mil a 500 mil dólares americanos”.

 

A outra parte não aceitou a contraproposta de Steve Jacobs - "o empresário, uma pessoa muito rica, não faz serviços de consultadoria" e assegura que não houve qualquer ilicitude, ao contrário do que a notícia do Wall Street Journal deu a entender.  De acordo com o advogado, em Setembro de 2009 esteve reunido em Pequim com um empresário de Macau, interlocutor de um homem de negócios de Taiwan com quem a Sands tem um litício judicial. Este intermediário propôs um acordo à operadora, para que o caso não chegasse a ser julgado, mas o advogado sabia que a Sands não iria aceitar a proposta. Foi então que “este empresário trouxe à colação a hipótese de ele poder contribuir para resolver a questão já conhecida como o apartamento hotel no COTAI”.

 

Num email enviado a Steve Jacobs, Leonel Alves transmitiu a proposta sobre o Four Seasons, sendo que a resposta chegou de imediato: “Recebi nesse mesmo dia, por email – e é facto também omitido pela ilustre articulista – instruções claras do ex-CEO dessa empresa americana em Macau, que me disse que, quanto ao caso de Taiwan, não haveria negociação nenhuma, porque já era consabida a posição do responsável número um desta empresa. Quanto ao apartamento-hotel, [disse-me] continue a negociar.”

 

Meses mais tarde, o mediador pediu 300 milhões de dólares, “sujeitos a negociação” – um valor que, diz Leonel Alves, seria sobretudo para resolver o caso de Taiwan. Steve Jacobs fez então a contraproposta que o empresário recusou, “a partir daquele dia nunca mais se falou no assunto, morreu por completo”.

 

Ainda sobre este caso, Leonel Alves explica que, por uma questão de deontologia profissional, não pode revelar a identidade do empresário de Macau com quem manteve as reuniões, mas esclarece que não é um político. “Trata-se de uma individualidade de Macau muito conhecida socialmente, é um empresário na área do imobiliário, tem em curso uma obra de grande dimensão em Macau – não vou localizá-la. Não posso revelar o nome”, diz. “É um empresário local muito conhecido, respeitado, também meu cliente noutras áreas – na compra e venda de imóveis – de há quase 30 anos. Trata-se, segundo creio – e não tenho provas em contrário – de uma pessoa séria, honesta, que até posso dizer que é meu amigo.” 

 

Quanto ao litígio que opõe a Sands à empresa de Taiwan, passou já pela justiça norte-americana e o processo corre agora no tribunal de primeira instância de Macau, envolvendo uma verba na ordem dos milhões de patacas.