Em destaque

18 de Abril de 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9,1616 patacas e 1,1296 dólares norte-americanos.

 

Leonel Alves falou a CE da acusação do Wall Street Journal
Sexta, 22/06/2012

Leonel Alves diz que esclareceu o Chefe do Executivo sobre as acusações publicadas no Wall Street Journal que dizem que o advogado, alegadamente, foi intermediário de uma “figura influente” de Pequim, que terá pedido à Sands o pagamento de 300 milhões de dólares para que fossem resolvidos “assuntos pendentes” da operadora, entre os quais a venda de apartamentos no Four Seasons.

 

“O Chefe do Executivo é o representante número um da RAEM. E quando digo junto de entidades competentes, ou quem de direito, obviamente que também me refiro a ele”, explicou Leonel Alves, que falava esta tarde aos jornalistas sobre a questão, já depois de se ter pronunciado sobre o assunto no plenário.

 

O caso do Wall Street Journal foi chamado à colação por Pereira Coutinho. O deputado começou por dizer que, “devido à falta de transparência e défice de fiscalização por parte das entidades oficiais, a maioria dos cidadãos continua a não percerber qual o destino dos apartamentos construídos há mais de dois anos”.

 

Depois, referindo-se ao jornal americano, Pereira Coutinho referiu que a "peça cita um nome em concreto, deputado e membro do Conselho Executivo [Leonel Alves], como sendo intermediário do negócio”. Para Coutinho, essa referência levanta “uma suspeição grave sobre o envolvimento de políticos com responsabilidades na facilitação de negócios de legalidade duvidosa". Por isso, Coutinho pede que o Chefe do Executivo tome decisões “em defesa do bom nome e da imagem de Macau no cenário internacional".

 

Depois da intervenção de Coutinho, Leonel Alves pediu o uso da palavra, “para defender a honra”, e disse que "em 30 anos de actividade” sempre teve uma “folha profissional e política completamente limpa, o que não acontece com outros", referiu, sem mencionar nomes.

 

Leonel Alves acrescentou que tem a consciência “perfeitamente tranquila”, lembrando o ditado "quem não deve não teme", para dizer que tudo o que vem referido no jornal é falso e tem motivação política. “Tudo o que vem no jornal está completamente fora de contexto. Tem obviamente motivação. E uma delas está hoje demonstrada – motivação política, motivação política mesquinha, motivação política manipulada. Estou disponível para esclarecer tudo o que for necessário junto de quem de direito.”

 

O deputado – que é também membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês – deixou ainda algumas palavras a Pereira Coutinho. “Gostaria de agradecer ao deputado Pereira Coutinho a intervenção que fez. Agradeço porque me proporcionou uma boa oportunidade para falar sobre este assunto”, disse. “Gostaria de dizer que não me surpreende em nada a sua intervenção, porque o seu conhecido carácter, a sua conhecida personalidade, são factos por todos nós conhecidos, e escuso aqui de perder tempo e paciência junto dos colegas para os comentar.”

 

Já em declarações aos jornalistas, Leonel Alves adiantou que pondera processar o Wall Street Journal.

 

Coutinho defende intervenção do CCAC

 

No intervalo do plenário, Pereira Coutinho falou aos jornalistas para reiterar a sua perspectiva em relação ao caso, vincando que não foi negada a existência dos emails citados pelo Wall Street Journal, alegadamente enviados por Leonel Alves a Steve Jacobs. O antigo administrador executivo da Sands China foi despedido em 2010, sendo que há um processo a correr na justiça norte-americana contra a empresa de Sheldon Adelson.

 

“A questão fulcral é essa – a existência ou não desses emails, porque a matéria constante no Wall Street Journal é mais do que suficiente para um processo de difamação em tribunal em sede própria”, afirmou Coutinho.

 

“Foram feitas várias reuniões no Hotel Fortuna, estavam lá muitas pessoas que assistiram, portanto não foram só emails, são locais, são factos, há vídeos, de modo que as entidades próprias podem apurar a verdade dos factos, nomeadamente o Comissariado contra a Corrupção, que já devia ter intervido nessa matéria”, vincou.

 

Recorde-se que o Wall Street Journal deu conta de reuniões de Leonel Alves com pessoas envolvidas num processo judicial contra a Sands. De acordo com o jornal norte-americano, o pagamento alegadamente sugerido à operadora serviria também para pôr um ponto final na batalha judicial com um empresário de Taiwan, que reivindica ter ajudado a empresa de Sheldon Adelson a conquistar uma licença de jogo em Macau.