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Moon Ocean: Ao Man Long diz que não foi subornado
Quarta, 09/05/2012

O ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, jura a pés juntos que os empresários de Hong Kong a quem foram concedidos os terrenos em frente ao Aeroporto Internacional de Macau não o subornaram. O antigo governante preferiu, durante o terceiro julgamento em que foi constituído arguido, permanecer grande parte do tempo em silêncio. A excepção aconteceu na última sessão em que podia falar.

 

Diz então o ex-secretário que Steven Lo e Joseph Lau, os empresários de Hong Kong a quem foram concedidos os terrenos onde está a ser agora construído o La Scala, não o subornaram. Lo e Lau foram-lhe apresentados por Ho Meng Fai (empresário condenado noutro processo a 25 anos de prisão), mas – afiança Ao Man Long – tiveram contactos esporádicos, sem qualquer relevância para o processo.

 

O arguido, na prisão desde o final de 2006, é acusado de ter recebido 20 milhões de dólares de Hong Kong por ter dado a Steven Lo e Joseph Lau informação privilegiada, que terá permitido aos empresários apresentarem uma proposta melhor que a dos outros concorrentes, num processo de concessão por convite.

 

O dinheiro acabaria por ser depositado numa conta da offshore Ecoline, controlada por Ao Man Long. O ex-secretário tem uma justificação: a Ecoline foi prestando trabalhos de consultadoria à empresa de Ho Meng Fai que, a dada altura, por ter acumulado várias dívidas para com a offshore, depositou de uma só vez os 20 milhões. Ou seja, o montante diz respeito a outras obras do Governo em que Ho Meng Fai participou e a Ecoline prestou serviços de consultadoria.

 

Ao Man Long, que começou por falar em tom baixo mas que rapidamente recuperou a voz forte que tem, defendeu-se ainda das acusações em relação às estações de tratamento de águas residuais da Ilha Verde e de Coloane. O arguido reiterou que não conhece um documento de quatro páginas que o Ministério Público diz ter sido encontrado entre os bens do ex-secretário. Ao diz a caligrafia não é a dele e colocou uma possibilidade: Pedro Chiang, referiu o arguido, pediu-lhe a dada altura informações sobre uma empresa especialista em tratamento de águas residuais, para poder investir no Camboja. O ex-secretário deu ao empresário – também já condenado noutro processo – o contacto de uma empresa belga, relatou.  

 

Os valores resultantes da alegada corrupção foram depositados em contas da Bestchoice – Ao Man Long coloca a possibilidade de ter sido Pedro Chiang a fazer esses depósitos porque, referiu, tinha o número da conta. Mas tal não passa de uma hipótese, vincou: é que teve conhecimento da acusação deste processo em Julho do ano passado e já não teve oportunidade de perguntar detalhes a Chiang sobre esta questão.