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Ao Man Long quebra silêncio no TUI
Quinta, 03/05/2012

O antigo secretário Ao Man Long quebrou, ontem, o silêncio na sessão de julgamento no Tribunal de Última Instância (TUI) para pedir um exame de caligrafia a documentos exibidos por um investigador do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC).

 

Ao Man Long, depois da testumunha ter prestado depoimento, pediu a palavra afirmando que a letra dos documentos exibidos não era sua e solicitou, por isso, um exame. Um pedido que viria mais tarde a ser rejeitado pelo Colectivo de Juízes do TUI.

 

A testemunha, depois de um depoimento de duas horas, voltaria a regressar à sala de audiência para assegurar que não tinha dito que os apontamentos eram de Ao Man Long e que apenas tinha afirmado que eram documentos encontrados nas buscas à antiga residência de Ao Man Long. Nas quatro folhas exibidas constavam informações sobre os projectos das ETAR, quer no Posto Transfronteiriço, quer em Coloane, e os pagamentos a serem feitos. As declarações do investigador levaram os juízes a indeferir o pedido do antigo secretário.

 

Ao Man Long viria ainda a pedir, de novo, a palavra para negar uma informação prestada por um outro investigador sobre os encontros com Joseph Lau. Ao Man Long garantia não terem sido 11 os encontros, apenas dois e um deles por sugestão do empresário Ho Meng Fai. O Tribunal voltou a chamar a testemunha que disse que 11 era a soma dos encontros entre o antigo secretário e os empresários Joseph Lau e Steven Lo. Ao Man Long voltou a afirmar que não tinham sido tantos os encontros e alegou, inclusive, que não tinha os números de telefone dos empresários de Hong Kong.

 

De resto, na tarde de ontem, foram ouvidos três investigadores do CCAC que, mais uma vez, optaram pelo uso de “power point” para sustentar o depoimento. O advogado de defesa, Ivan Fong, ainda tentou evitar o uso do programa informático, mas o pedido foi negado pelo Colectivo de Juízes.

 

Em foco na sessão as empreitadas do edifício do Parque Industrial Transfronteiriço, a concessão de cinco terrenos em frente ao Aeroporto Internacional de Macau, o contrato para a ETAR de Macau e a segunda fase desta obra, e, ainda, a ETAR de Coloane e a respectiva segunda fase.

 

Com recurso aos apontamentos do antigo secretário, registos de entradas em Macau de representantes de empresas e ainda registos de telefonemas, as testemunhas do CCAC tentaram provar os pagamentos a Ao Man Long em troca de benefícios para as referidas obras.