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Ao Man Long: ETAR da Ilha Verde e ETAR de Coloane em análise
Quarta, 25/04/2012

A construção das estações de tratamento de águas residuais (ETAR) da Ilha Verde e de Coloane estiveram hoje em análise no julgamento de Ao Man Long. O ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas – a ser julgado pela terceira vez no Tribunal de Última Instância por seis crimes de corrupção passiva para acto ilícito e três crimes de branqueamento de capitais – é acusado de ter favorecido o consórcio adjudicatário das ETAR.

 

A sessão ficou marcada pela ausência de várias testemunhas – entre elas, destaque para o empresário Pedro Chiang (condenado já no âmbito deste mega caso e que se encontrará em Portugal) e Camila Chan Meng Ieng, a mulher de Ao Man Long, condenada a 23 anos de prisão e em paradeiro desconhecido.

 

Em tribunal compareceram duas testemunhas que trabalham na filial de Macau de uma das empresas que integravam o consórcio adjudicatário – Li Shizhong é director da área financeira da China State de Macau, a subempreiteira da construção das duas ETAR, e foi o autor do depoimento mais alongado da tarde.

 

A acusação considera que Ao Man Long recebeu subornos na concessão das empreitadas a um consórcio que junta várias empresas: a ATAL/Waterleau e a Global Water Technology/China State Construction Engineering de Hong Kong.

 

O Ministério Público tentou provar que foi através da filial de Macau da China State Construction Engineering que a Waterleau recebeu mais de 780 mil patacas, um valor convertido em euros que acabaria por ser depositado na Ecoline, uma das offshores controladas por Ao Man Long.

 

Li Shizhong justificou o pagamento dizendo que recebeu instruções da empresa-mãe de Hong Kong para o fazer e garantiu que conferia as justificações dadas antes de pagar os valores devidos. No caso em análise, acrescentou, a despesa era fundamentada por trabalhos de consultadoria.

 

Mas da acusação constam valores mais elevados: a empresa onde trabalha a testemunha recebeu instruções da empresa-mãe de Hong Kong para depositar 3,87 milhões de dólares de Hong Kong numa conta da Bestchoice – outra empresa em regime offshore controlada pelo ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas.

 

Este pagamento acabou por não ser feito como era suposto – não ficou claro, pelo menos na tradução para português, qual a razão que levou Li Shizhong a não avançar com a transferência – mas, segundo o Ministério Público, o dinheiro foi parar à Bestchoice. A China State de Macau emitiu um cheque a uma outra empresa local que, diz a acusação, acabou por ser a intermediária para o pagamento à offshore. A emissão do cheque foi justificada pela testemunha como sendo para pagar trabalhos de construção civil à empresa de Macau. Li garantiu não ter estranhado a coincidência dos valores. “Acontece haver valores iguais”, afirmou.

 

O Ministério Público acredita que Ao Man Long terá ainda recebido mais 1,9 milhões de patacas no âmbito destes projectos, valor que terá sido pago pela ATAL, empresa que integra o consórcio adjudicatário das obras de construção das ETAR de Coloane e da Ilha Verde.

 

Quanto à outra testemunha que também integra os quadros da China State de Macau, trata-se de uma contabilista da empresa. Chao Chio Leng explicou que a despesa de 3,87 milhões de dólares de Hong Kong lhe foi apresentada como sendo para o pagamento a uma subempreiteira que trabalhou nas obras da cobertura do edifício La Cité.

 

Por último, foi ouvida uma testemunha oriunda de uma empresa de Hong Kong, que ajuda outras empresas a entrarem no mercado de Macau. Este depoimento serviu apenas para se ficar a saber que a ATAL recorreu aos serviços desta empresa para ter uma sede social no território e um local de recepção da correspondência.

 

O julgamento de Ao Man Long, que teve início no passado dia 16, é retomado na próxima quarta-feira, dia 2 de Maio.