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António Félix Pontes: A criptomoeda “é o futuro”
Segunda, 25/03/2019
O economista António Félix Pontes defende que a criptomoeda vai vingar, apesar de alertar para os riscos inerentes às moedas virtuais, lembrando, por exemplo, os casos de alegadas fraudes que envolvem residentes e continuam sob investigação das autoridades.

“A bitcoin, no meu ponto de vista, é o futuro da moeda. Não sei se daqui a dez ou 15 anos, mas já está, só não está é regulada. Também já surgiram esquemas fraudulentos, já houve casos aqui em Macau e em Hong Kong. Não é só a bitcoin, há outras moedas virtuais”, afimou o presidente da direcção do Instituto de Formação Financeira.

Já sobre a regulação da criptomoeda, o ex-administrador da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) observa que é uma decisão do Governo: “A regulação depende de quem tem poderes, com certeza em Macau vão fazer estudos e relatórios”.

Mas aconselha as autoridades em Macau a seguirem o exemplo de Hong Kong, que “tem lançado iniciativas no sentido de se criar condições para que a criptomoeda seja uma realidade”.

“O exemplo de Hong Kong é bom porque estão a evoluir no sentido das seguradoras virtuais. Em breve – se calhar ainda este mês – vão ser autorizados seis ou sete bancos virtuais em Hong Kong. E estão a evoluir na questão da Bitcoin. Não sei quando é que vão tomar essa medida lá, mas penso que devíamos seguir o exemplo de Hong Kong”, sublinhou.

Como argumentos a favor da criptomoeda, aponta a defesa do ambiente e a economia.

“A questão que se coloca é também a questão económica: a emissão das notas tem um custo económico e um custo ambiental. Por exemplo, uma nota de cem patacas custa um determinado montante ao Governo, nomeadamente à Autoridade Monetária que tem de pagar ao Banco da China e ao Banco Nacional Ultramarino pelos custos de emissão, transporte, seguro, etc”, frisou, salientando a tendência de haver um crescimento dos custos.

“Em relação às moedas é outra questão: Quando cheguei a Macau em 1980, o custo de cunhar uma moeda era de dez cêntimos, hoje se calhar é 80 cêntimos, por causa do custo dos metais. Portanto, quer em termos de protecção das árvores, quer tendo em atenção o custo dos metais, temos de caminhar para outras moedas. Penso que [o futuro] vai ser as moedas virtuais”, observou, reiterando, no entanto, não ser ainda o momento “para apostar” nos investimentos em criptomoeada.

Félix Pontes falava à margem da abertura da terceira edição da Global Money Week em Macau. Uma iniciativa organizada pelo Instituto de Formação Financeira e que o presidente da direcção descreve como “uma acção de sensibilização para que os jovens utilizem o dinheiro de forma ponderada e criem hábitos de poupança”.

A nível mundial, a Global Money Week vai na oitava edição e já envolveu 32 milhões de crianças e jovens em 170 países, observou Félix Pontes.

Fátima Valente