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Caso Ao Man Long: Empresários de Hong Kong são arguidos
Sexta, 20/04/2012

Steven Lo Kit-sing e Joseph Lau Luen-hung, os dois empresários de Hong Kong que adquiriram os terrenos em frente ao Aeroporto de Macau, foram constituídos arguidos no âmbito do mega-caso Ao Man Long. O processo está ainda em fase de instrução, mas o estatuto dos empresários perante a justiça foi revelado em tribunal – Steven Lo foi arrolado testemunha e compareceu hoje no julgamento que tem como único arguido o ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas.

 

Ao Man Long, que responde neste processo por nove crimes (seis de corrupção activa para acto ilícito e três de branqueamento de capitais) é acusado de ter privilegiado a empresa detida pelos dois empresários de Hong Kong no processo de concessão de cinco lotes entre a Estrada da Ponte da Cabrita e a Avenida Wai Long, na Taipa, num caso ocorrido em 2005. Em troca, o ex-secretário terá recebido 20 milhões de patacas.

 

Os terrenos foram concedidos através de um concurso por convite e a acusação acredita que a Moon Ocean, através da John Lang LaSalle, teve acesso a informação privilegiada para apresentar a melhor proposta, em apenas 10 dias, o prazo concedido às três empresas convidadas. Pelo tribunal passaram hoje testemunhas ligadas ao grupo de Steven Lo, sendo que algumas admitiram que ouviram dizer que o Governo ia vender os terrenos antes de os convites terem sido enviados.

 

A testemunha mais importante do dia foi, no entanto, Steven Lo. O empresário podia ter ficado em silêncio, por ser arguido, mas optou por prestar depoimento. A testemunha explicou que esteve “uma ou duas vezes” com Ao Man Long, mas só se lembrava com exactidão de um dos encontros, que coincidiu com a data da abertura das propostas para os terrenos. Steven Lo afiança que não se falou de negócios, até porque, justificou, os primeiros encontros não têm essa finalidade. “Foi um encontro banal, nunca tive sequer o cartão e os contactos dele [Ao Man Long]”, assegurou. “Nunca mencionou interesse para investirmos em Macau.”

 

Ao Man Long foi apresentado a Steven Lo por Ho Meng Fai, empresário condenado a 25 anos de prisão no âmbito deste mega-processo e em parte incerta. De acordo com Lo, foi Ho Meng Fai que lhe pediu os 20 milhões de patacas – a testemunha justificou em tribunal o dinheiro como sendo para pagamento de despesas. A acusação diz que o montante foi parar à Ecoline, uma offshore controlada por Ao Man Long.

 

Os 20 milhões resultaram do investimento do outro empresário de Hong Kong, Joseph Lau, que em troca ficou com 70 por cento dos terrenos. Já no ano passado, Steven Lo vendeu os restantes 30 por cento a Lau – o empresário milionário é o CEO da Chinese Estates Holdings, empresa que explora as parcelas onde está a ser construído o La Scala.

 

O julgamento de Ao Man Long continua na próxima segunda-feira.