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Padre João Eleutério deixa Macau desiludido com Diocese
Sábado, 26/01/2019
O padre e teólogo João Eleutério regressa hoje a Portugal ao fim de 10 anos em Macau, para assumir de volta o posto de académico da Universidade Católica portuguesa.

Em declarações ao TDM - Canal Macau, João Eleutério disse que deixa para trás algumas experiências más que o levam a sentir-se desiludido com a Diocese de Macau, denunciando mesmo ter-se sentido discriminado por não dominar a língua chinesa.

Segundo o religioso, a impressão negativa remonta ao próprio dia da chegada a Macau, quando se apercebeu que alunos do Seminário de São José estavam a ser encaminhados para estudarem em Hong Kong.

Lembrando que veio para Macau a pedido do cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e do então director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, o actual reitor da Universidade de São José, Peter Stilwell, com a missão de “orientar e construir os estudos de teologia aqui em Macau, porque a Igreja local estava a precisar”, Eleutério considera que, “se calhar, a percepção deles não era a mais adequada ou correcta”.

O padre e teólogo contou o episódio: “Quando aqui cheguei – e isso nunca esquecerei, porque, de facto, foi uma espécie de bofetada que levei –, entrei pela porta do Seminário de São José e, ao mesmo tempo, estava uma viatura a sair com os dois seminaristas da Diocese de Macau que tinham entrado naquele ano a ir para Hong Kong”, onde iriam prosseguir os estudos, sem que Eleutério tivesse sido informado.

Nestas declarações, João Eleutério disse lamentar que a Igreja de Macau não tenha percebido o papel que o padre e teólogo poderia ter desempenhado aqui no território. Considerou-se, ainda, vítima de discriminação por não falar chinês: “Foi pena a Igreja local, verdadeiramente, não perceber quem é que eu sou. Eu sou um teólogo, mas a desculpa de que não falo chinês serviu muitas vezes para que fosse ignorado. Penso que isso é uma das coisas que levo com alguma mágoa, porque, se calhar, podia ter oferecido a minha colaboração mais eficaz em Portugal, onde, se calhar, não seria tão ignorado e tão tornado irrelevante”.

João Eleutério deu ainda como exemplo da irrelevância a que foi votado pela Diocese de Macau o momento, em 2012 – ano proposto pelo Papa Bento XVI como “ano da fé” –, em que uma comissão da Diocese de Macau ignorou os seis doutorados em teologia da Universidade de São José, chamando para integrar esse órgão o único professor da instituição sem doutoramento em teologia.

Hugo Pinto